Não é preciso muito para se perceber que o Sporting atravessa uma das maiores crises da sua já longa história desportiva. O quarto lugar no campeonato, com 26 pontos de desvantagem para o primeiro classificado que é precisamente o eterno rival Benfica, é exemplo disso mesmo. José Eduardo Bettencourt até nem se importaria que os problemas do clube se resumissem a isto. Mas é claro que o lugar na tabela classificativa é apenas um dos vários problemas que o clube enfrenta neste momento.Um tema mais do que debatido nos últimos tempos é o problema "treinador". Pessoalmente acho que a saída de Carvalhal era irreversível. Se fosse presidente do clube talvez tivesse tomado a mesma decisão. Independentemente de algumas boas exibições, o que é facto é que Carvalhal perdeu em todos os momentos cruciais. Foi goleado nas duas taças pelos dois rivais e no campeonato é o que se já sabe. Para além do mais, com as contratações de João Pereira e de Pedro Mendes, o plantel do Sporting ficou indiscutivelmente mais forte do que antes. Agora o
timing do anuncio da saída foi o mais errado possível e espelha bem a desorganização que se vive em Alvalade. Com Carvalhal fora do baralho, chega a altura de o clube procurar um novo treinador e definir um rumo. O presidente do SCP e Costinha têm que estabelecer, de uma vez por todas, o que querem para a próxima temporada. Se a aposta é a continuidade da grande maioria do plantel, o treinador tem que ser estrangeiro. Com créditos firmados e acima de tudo, disciplinador. O que tem faltado à equipa nestes últimos dois anos é fundamentalmente disciplina e organização. A partir daí entendem-se as opções em Co Adriaanse, László Bölöni ou Paul Le Guen, sendo que este último não é propriamente um disciplinador nato.Se por outro lado, a opção do clube é a de obtenção imediata de resultados, principalmente no campeonato português, a escolha deve recair no treinador português, conhecedor da realidade do nosso campeonato. Este parece-me ser o caminho mais correcto a seguir e aquele que, desconfio eu, será também seguido pelos dirigentes da equipa do Sporting. Com André Villas Boas descartado, vejo apenas 3 nomes possíveis para assumir o cargo: Domingos Paciência, Paulo Sérgio e Manuel José. Pensei também em Jesualdo Ferreira, caso abandonasse o FC Porto no final da temporada, mas, pelo que se tem visto nos últimos tempos, há muita pressa dos dirigentes do Sporting em querer resolver o dossier "treinador", o que não favorece a aposta nesta solução. Não creio que Bettencourt e Cª fiquem na expectativa para saber o futuro do,ainda, treinador do Porto. Dos 3 nomes apontados, creio que o melhor para o futuro do Sporting é Domingos Paciência. Apesar de gostar muito de Paulo Sérgio, creio que ainda tem que provar muita coisa no nosso campeonato (como teria André Villas Boas) para orientar um clube sedento de conquistas e de vitórias. No que diz respeito a Manuel José, aí o caso é bem diferente. Não acho que um treinador que esteve demasiado tempo no estrangeiro seja a melhor opção para o cargo. No Sporting vão-se exigir resultados imediatos e Manuel José vai ter dificuldades em adaptar-se, novamente, ao nosso campeonato. E convenhamos... o nosso campeonato em nada se assemelha com a liga egípcia. Resta Domingos. Para mim, a melhor opção para o cargo.

Nesta temporada, apesar de todas as circunstâncias favoráveis à equipa do Braga, é indiscutível que Domingos faz um excelente trabalho. Apesar de tudo, há mérito do treinador em ficar nos primeiros lugares do campeonato. E creio que, mais do que a aposta nas competições europeias, o Sporting precisa de recuperar o seu estatuto no campeonato português. E Domingos provou neste campeonato que é capaz de lutar contra os grandes do campeonato português. Este plantel do Braga é, teoricamente, inferior ao de Benfica e Porto e com valores similares aos do Sporting. E é aqui que se nota o trabalho do treinador na equipa. Apesar de ser um treinador muito cauteloso e com rotinas tácticas defensivas, Domingos sabe jogar para o resultado. E é de resultados que o Sporting precisa agora. O futebol espectáculo fica para depois.
Relativamente à definição do plantel para a próxima temporada, não posso concordar com o modelo que se pretende implementar onde já não há jogadores intransferíveis na equipa. Erro crasso. Não se pode construir uma nova equipa sem manter alguma base de épocas anteriores. Creio que deste plantel actual há jogadores que têm, obrigatoriamente, que ficar no Sporting, na próxima temporada. É impensável que o Sporting se desfaça de jogadores como Pedro Mendes, Liédson ou Daniel Carriço. Há que saber vender e ver os jogadores que podem ser rentabilizados. Parece-me que Miguel Veloso e João Moutinho são jogadores que podem contribuir para a realização de bons negócios e para ajustar as contas do clube. Agora, deve de haver a noção de que uma renovação não se faz a vender jogadores a torto e a direito. Há que saber o que se quer e definir bem os planos para o futuro. Porque uma renovação mal feita pode dar origem a mais problemas e ter resultados ainda piores para o futuro do Sporting CP.