Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

"Levantar a cabeça e olhar em frente"

Como qualquer português, eu também estou muito desanimado com o jogo de hoje. Não quis fazer o rescaldo do encontro logo, sem antes ter ponderado bem sobre tudo o que vi (e ouvi). Há muita coisa a rever, mas também nem tudo se desenrolou no panorama negro, que muita comunicação social quer fazer transparecer.


O modo como o jogo foi preparado foi o mais correcto. Até ao começo deste jogo, a única coisa a apontar a Queiroz foi a falta de ambição no jogo com o Brasil. Tivesse o seleccionador sido mais ambicioso na abordagem ao encontro que poderia dar o primeiro lugar, e hoje, provavelmente, estaríamos nos Quartos-de-Final, já a preparar um encontro com uma Holanda, perfeitamente ao nosso alcance. Não houve coragem para "atacar" o Brasil e fomos conduzidos para uma eliminatória frente à actual campeã da Europa, Espanha. Um "prémio" justo para a falta de ambição.
Chegados ao jogo com a Espanha, e olhando para a organização táctica da equipa portuguesa, durante o primeiro tempo, pouco ou nada se pode apontar à equipa e seleccionador nacional. Portugal, no primeiro tempo, soube controlar o jogo da Espanha e até criou situações de perigo que, com alguma sorte, até poderiam ter dado em golo. Não fomos felizes no capítulo da finalização, mas também não deixámos a Espanha jogar como queria. Soubemos defender em bloco e cortar todas as linhas de passe aos jogadores espanhóis, em especial a Xavi e Iniesta.
É no início do segundo tempo que o jogo acaba para Portugal. Tudo se resume ao minuto 58: Em Portugal sai Hugo Almeida e entra Danny, enquanto que na Espanha, Del Bosque troca Torres por Llorente. Nos 5 minutos seguintes às substituições, dão-se 3 lances de enorme perigo para os espanhóis, entre os quais, o golo (ilegal, diga-se) de David Villa. E isto deu-se porque os defesas centrais portugueses sentiram grandes dificuldades para lidar com a presença do gigante Llorente na área e os espanhóis passaram a controlar perfeitamente as acções de Cristiano Ronaldo no centro do ataque português. E é a partir daqui que deixo de perceber o papel de CR9 em campo. De facto, já começa a ser questionável a "liberdade" que dão a Ronaldo no ataque português. Pelo que vi no jogo de Portugal, temos 10 jogadores a funcionar como um forte colectivo (defensivo e ofensivo) e Ronaldo completamente à parte. Vejo um jogador só, na frente de ataque. E isto, meus caros, não é certamente o melhor jogador do mundo (ou um dos melhores, como preferirem). Este Cristiano Ronaldo já não é aquela máquina desequilibradora que vimos nos tempos de Manchester United. Que é feito daquele Ronaldo que jogava nas faixas laterais do ataque e desequilibrava, sempre, em situações de um contra um. Perdoem-me mas Ronaldo não tem de usufruir de liberdade nenhuma na frente de ataque. Ronaldo tem de ser mais um a ajudar a equipa, e não, um jogador fora das movimentações de jogo de todo o colectivo português. Espero que Queiroz entenda que Ronaldo não tem de jogar sozinho lá na frente com "toda a liberdade". Antes de ser um brilhante jogador (que o é), Ronaldo pertence a uma equipa que não tem de jogar em função do seu talento. Portugal, com Ronaldo nas zonas laterais, pode jogar com Ronaldo, e não, para Ronaldo.
Depois do golo, o jogo ficou fácil para a Espanha que não teve de se esforçar muito para gerir a vantagem. A vantagem no marcador permitiu que os jogadores espanhóis tivessem mais espaços e que conseguissem fazer uma maior (e melhor) circulação de bola. A partir do golo, já pouco havia a fazer.


Num rescaldo final àquilo que foi a nossa participação no Mundial, temos sempre bons e maus apontamentos. Os maus estão essencialmente associados àquilo que referi sobre os jogos frente ao Brasil e à Espanha. Pouco ou nada há a dizer mais.
Convém, agora, reafirmar que surgiram aspectos positivos com esta participação portuguesa no Mundial. Começando desde logo, pela baliza portuguesa. Eduardo foi fenomenal neste Mundial. O guarda-redes português fez por merecer o lugar no onze nacional e bem merece um contrato num clube de topo europeu. De Coentrão, acho que já nem preciso de dizer muita coisa. Está a vista de todos: temos lateral-esquerdo para os próximos 10 anos. Os portugueses bem podem agradecer a Jesus, esta brilhante descoberta. Há muitos, muitos anos que não tínhamos um lateral esquerdo com a qualidade de Coentrão. Problema resolvido.
Os centrais Bruno Alves e Ricardo Carvalho estiveram quase sempre bem. Carvalho, principalmente, é o patrão da nossa equipa. O verdadeiro capitão da nossa equipa. Espero que se aguente na nossa selecção durante vários anos. Vai ser um jogador muito difícil de substituir. Para o meio-campo, vimos que o tridente do meio-campo composto por Pedro Mendes, Raúl Meireles e Tiago completou-se muito bem. Destes três, Meireles foi sempre o melhor jogador. Deu tudo o que tinha em cada jogo e lutou muito no meio-campo. É deste tipo de jogadores que precisamos para a nossa selecção. Queira ainda destacar a presença de Hugo Almeida na nossa frente de ataque. Já aqui falei dele, e, muito sinceramente, acho é um jogador importante e a preservar para o futuro.
O futuro da selecção é para começar a ser tratado já. Agora segue-se o Europeu de 2012, e temos de lá estar. Se possível, com uma qualificação mais tranquila do que esta última. Há coisas a mudar, mas muita coisa também a preservar.


PS: A atitude de Cristiano Ronaldo, no final do encontro, é lamentável e demonstra bem o estatuto que o jogador usufrui na equipa. Pode dizer o que lhe apetece e nada lhe acontece. Ronaldo tem de perceber, de uma vez por todas, que não está acima de ninguém na equipa. Que Mourinho, este ano, o coloque na ordem. O nosso craque bem precisa de umas boas lições de humildade.

Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

Os lendários Bulls


Com Lebron James e Chris Bosh a juntarem-se a Joakim Noah e Derrick Rose, poderemos estar na presença de um novo candidato ao título da NBA, que este ano foi conquistado pela equipa dos LA Lakers. Sempre fui um adepto desta equipa, e é com agrado que vejo o esforço dos responsáveis de Chicago a tentar reerguer o clube. A chegada de Chris Bosh é muito interessante, mas é de Lebron que eu espero grandes feitos. Sempre disse que à equipa de Chicago faltava "star quality". Faltava alguém que conseguisse definir um jogo sozinho. No fundo, um desequilibrador nato. Lebron James é a peça que faltava. Com a rapidez de Rose, a "garra" de Noah, a consistência de Bosh e claro, o espectáculo de Lebron James, não tenho dúvidas de que este ano, os Chicago vão ser uma dor de cabeça para as equipas dos Lakers, Boston e Orlando.

Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Agora, venha a Espanha!


Confesso que, a cada jogo que vejo de Portugal, tenho mais confiança de que vamos fazer um bom Mundial. Há muito tempo que não tínhamos tanta solidez na defesa e um guarda-redes seguro na baliza. Eduardo tem transmitido muita segurança à defesa, Ricardo Carvalho e Bruno Alves têm estado impecáveis e Fábio Coentrão tem sido claramente a grande revelação desta selecção e, provavelmente, uma das grandes surpresas, pela positiva, deste Mundial. Esta equipa é das mais fortes do torneio, enquanto equipa e já não é a Selecção de Cristiano Ronaldo, como muitos quiseram fazer crer. Ronaldo é mais um a tentar ajudar uma equipa que permanece imbatível há 19 jogos e que ainda não sofreu golos no campeonato.
Tal como tinha previsto, depois do jogo da Coreia, vamos mesmo ter pela frente a equipa da Espanha. O meu sentimento é exactamente o mesmo de há uns dias para cá: vejam AQUI, a minha opinião sobre esse encontro.
A partir de agora, não há nada a perder. Temos as nossas possibilidades frente à Espanha e, de acordo com o que temos vindo a fazer nos últimos jogos, devemos encarar o próximo jogo com o mesmo grau de motivação e concentração para que possamos continuar a fazer história neste Mundial.

Terça-feira, 22 de Junho de 2010

A "classe" de alguns treinadores do Mundial

Percebe-se, através destes 2 vídeos, porque Raymond Domenech e Dunga não geram consenso entre a crítica dos seus países. As atitudes de ambos os treinadores não são dignas de uma competição como esta e merecem a reprovação de toda a imprensa mundial.
Atitudes verdadeiramente lamentáveis...




Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

Sobre um possível encontro com a Espanha...


Ao contrário da grande maioria dos portugueses, eu considero que temos hipóteses de bater a selecção espanhola. Não é imbatível, como se viu, e tem pontos fracos que podem ser perfeitamente explorados pelos jogadores portugueses. O mais evidente é, sem dúvida, a enorme dependência da equipa por Xavi. Todo o ataque organizado da Espanha passa sempre por Xavi. Sem Xavi, os jogadores espanhóis tornam-se previsíveis: ou caem no jogo directo, ou apostam no um contra um pelos flancos. Se Portugal, num hipotético jogo com a Espanha, conseguir anular Xavi, será meio caminho andado para conseguir discutir o jogo de igual para igual. A tarefa nunca será fácil, mas Portugal tem todas as possibilidades de eliminar a Espanha, tal como terá iguais possibilidades de derrotar um Brasil sem Kaká. Resta ter mais confiança na nossa equipa e deixar de pensar que os outros são sempre superiores ou que têm mais argumentos do que nós.
Na minha opinião, Portugal está a caminho de escrever mais uma página bonita na história do futebol nacional. E tenho dito!

A goleada histórica e a euforia geral

O clima que se vive entre os portugueses, após o jogo frente à Coreia do Norte, é de grande euforia. Claro que não é para menos: dar 7 a uma selecção, numa fase final de uma competição não está ao alcance de qualquer um. Hoje, Portugal provou que consegue funcionar como equipa e aguentar bem a ausência do "aparentemente" insubstituível, Deco.
Tiago e Raul Meireles estiveram soberbos no meio-campo e foram os principais responsáveis pelos constantes desequilíbrios na equipa da Coreia do Norte. Fábio Coentrão esteve novamente impecável no lado esquerdo da defesa, tanto a defender como a atacar.
No entanto, o aspecto que mais me tem agradado nesta selecção é a solidez defensiva. Apesar de ter sido muitas vezes incompreendido, Eduardo tem demonstrado grande segurança entre os postes e, sempre que foi chamado a intervir, não tem vacilado. O sector defensivo (mais Pedro Mendes) tem dado muitas garantias e raramente permite ocasiões de golo às equipas adversárias. Com esta solidez defensiva e a clara melhoria no sector atacante dão esperança a qualquer português. Não creio que nenhum português, por esta altura, seja capaz de exijir o título aos jogadores e a Queiroz. Mas todos querem ver uma prestação digna e que represente bem o nosso país. E esta fase inicial tem dado garantias. Os merecidos parabéns aos jogadores portugueses e claro, ao tão criticado Carlos Queiroz. Agora, venha o Brasil!

Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Descansa em paz, Saramago

Estou longe de ser um admirador da sua escrita. Mas a sua morte é uma enorme perda para o nosso país e, principalmente para a literatura portuguesa. Uma pessoa com uma cultura invulgar, que nunca se coibiu de dizer o que lhe ia na cabeça. E por isso mesmo, terá sempre o meu respeito.


José Saramago
(1922-2010)

Terça-feira, 15 de Junho de 2010

Tal como previa, deu empate!

"Como português (e crente nesta selecção) aposto na vitória de Portugal amanhã. Mas como mero espectador deste Mundial, creio que o resultado vai dar em empate."

Como previa, este jogo inaugural acabou por dar empate. Faltou ambição a Portugal em querer fazer algo mais. O nosso seleccionador não quis arriscar (não o crucifixo por isso) e agarrou-se ao empate, que agrada mais à Costa do Marfim do que a Portugal. No entanto, há sempre pontos negativos a retirar de um empate: desde logo, a substituição de Deco por Tiago, que retirou toda a capacidade criativa à nossa equipa. A par de Fábio Coentrão, Deco foi o melhor da equipa portuguesa. E a sua substituição constituiu uma surpresa, até para o próprio jogador. Outro elemento que nunca se encontrou com a equipa foi Liédson. Está mais do que visto que o luso-brasileiro não sabe jogar sozinho e hoje voltou a ter imensas dificuldades para se inserir no jogo colectivo da equipa. No lugar de Queiroz não hesitava e colocava, já no próximo encontro, Hugo Almeida na zona de ataque. Assim como Pepe. O jogo aéreo de ambos os jogadores vai ser muito importante para os próximos dois jogos que aí vêm.

Escrevo este texto, enquanto vou olhando para o jogo entre o Brasil e a Coreia do Norte. Pelo que vejo destes primeiros 45 minutos, já vai dando para concluir que: nem a Coreia do Norte é tão fraca quanto muitos fizeram crer, nem o Brasil é aquela equipa que mete medo a qualquer um. O primeiro lugar continua a ser um objectivo perfeitamente ao nosso alcance.

Arrancamos hoje!


Pelo que tenho visto a circular na Internet, Carlos Queiroz vai mesmo apostar em Coentrão e Danny no jogo de amanhã. Nada que me surpreenda, dado o bom momento de forma de ambos os atletas. Não deixo, contudo, de ter reservas em relação ao nosso ponta-de-lança. Espero estar enganado, mas não creio que Liédson vá conseguir realizar um bom campeonato. Não é um jogador que esteja devidamente integrado no grupo (se calhar, nunca o teve) e está visto que não se entende com os extremos da nossa equipa, sejam eles quais forem. Eu apostaria em Hugo Almeida. É um jogador muito incompreendido no nosso país, mas que define bem aquilo que é um bom ponta-de-lança: bom jogo de cabeça, forte fisicamente, oportuno e capaz de desgastar os defesas adversários durante o jogo. O ideal para o esquema em que Portugal se apresenta.
Quanto ao nosso adversário, quase que aposto que Drogba vai mesmo jogar, embora limitado. E hoje,Pepe vai fazer muita falta no nosso meio campo. Gosto muito de Pedro Mendes, mas no papel de trinco, Pepe é a melhor opção.
O ideal para o jogo de amanhã é mesmo não perder, pelo que o empate não será um mau resultado. No entanto, e como o objectivo dos jogadores é vencer, é muito importante não sofrer golos primeiro. Se a Costa do Marfim se adianta no marcador, os jogadores portugueses vão ter muitas dificuldades em lidar com a adversidade. Como português (e crente nesta selecção) aposto na vitória de Portugal amanhã. Mas como mero espectador deste Mundial, creio que o resultado vai dar em empate. A ver vamos...

Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

O que fica do primeiro jogo...

Não se esperava grande coisa deste primeiro jogo, portanto não podemos nunca falar em desilusão. Duas selecção que não vão chegar longe na competição, que demonstraram grandes fragilidades no sector recuado das suas defesas. O México sentiu grandes dificuldades para travar os contra-ataques sul-africanos, e a África do Sul com grandes dificuldades nas marcações defensivas. Sobre os jogadores das duas equipas, há, de facto, dois nomes a reter: o autor do golo sul-africano, Tshabalala, que irá, com certeza, "voar" para a Europa no final do Mundial, e Giovanni dos Santos. Este miúdo já não é um desconhecido, mas, no jogo de hoje, deixou bons apontamentos. Foi, na minha opinião, o melhor em campo e o jogador que mais desequilibrou no ataque mexicano. Apesar de ser muito cedo, já dá para perceber que estes dois jogadores podem vir a ser revelações deste campeonato do Mundo.

Que comece o Mundial!

Espero que tudo corra pelo melhor. A questão de insegurança tem de estar ultrapassada, e esperemos que este Mundial seja uma grande festa. Se possível, com mais uma grande prestação da nossa selecção. Para os africanos, este é um momento único e histórico. Para nós, é mais uma tentativa de inscrevermos o nome de Portugal na história dos Mundiais de Selecções.

Força, Portugal!