O Benfica 2009/2010 entra em campo, nesta nova temporada, com a ambição de revalidar o título conquistado na temporada passada. Mantendo a mesma estrutura técnica, e contando, praticamente, com o mesmo plantel da temporada passada, o Benfica apresenta um plantel capaz de se equivaler aos projectos propostos neste início de pré-temporada: ser bi-campeão nacional e fazer uma campanha na Liga dos Campeões que deixe uma boa imagem do nome do clube na Europa.A ideia de fazer uma equipa ainda mais ganhadora e que não comprometesse em momentos decisivos, fez com que Jorge Jesus alterasse duas peças no seu onze base. Uma por opção (Quim) e outra forçada (Di María). Para os seus lugares vieram, como se sabe, o guarda-redes espanhol Roberto e o Médio Interior argentino, Nico Gaitán.

Para as pessoas que acompanham Jesus, desde há uns anos para cá, a troca de guarda-redes não surpreende. Aliás, eu próprio estranhei muito ver Quim como titular da baliza do Benfica durante todo o campeonato nacional. Isto porque Jesus não gosta de guarda-redes de baixa estatura. Quim tinha 1,84m e o agora actual guarda-redes, Roberto, tem 1,95m. Uma mudança clara na baliza do Benfica, que terá, com certeza, a mão de Jorge Jesus. O que não passaria pela cabeça do treinador do Benfica era que uma pré-temporada, efectuada contra adversários de nível claramente inferior ao do Benfica, resultasse em
14 golos sofridos em apenas
6 jogos (!), e onde o novo guarda-redes, Roberto, tem culpas no cartório na sua grande maioria. É mais do que certo que o jogador encarnado veio para ser titular. Para a baliza do Benfica, já não há aquela velha conversa de "treta", onde todos os jogadores partem com as mesmas possibilidades de serem titulares. Roberto custou muito dinheiro, vai continuar a jogar. Moreira e Júlio César bem podem dar o máximo, que nunca vão ter hipótese de jogar, exceptuando nas taças. No caso particular de Moreira, até confesso que nunca entendi bem a embirração dos treinadores com ele. Raramente compromete, é seguro, é querido pela massa adepta (o que num clube, como é o Benfica, é sempre importante) e até é, relativamente alto (mais até do que Quim). Portanto, caso a média de golos sofridos não aumente, os adeptos do Benfica vão ter de contar com Roberto para a baliza. Na minha opinião, um erro de casting, mas só o tempo dirá. De que o guarda-redes é alto, e rápido entre os postes, ninguém dúvida No entanto, tem fragilidades que não são normais para um guarda-redes de clube grande: o jogo do pés é péssimo e as saídas da baliza, ainda conseguem ser mais assustadoras. Talvez o peso dos 8,5 milhões até pesem na sua insegurança, mas estas debilidades não são apenas provocadas pela sua actual instabilidade. A dispendiosa contratação do Benfica, tem defeitos de fabrico. E esses problemas, nem Jesus será capaz de resolver.
Mais animadoras, foram as restantes contratações do Benfica. Começando pelo menos mediático, Fábio Faria, vejo nele qualidade. Em
Novembro do ano passado, ainda antes de Coentrão aparecer no lado esquerdo da defesa, vi nele qualidades para ser, num futuro próximo, o lateral-esquerdo da nossa selecção. É claro que, agora, o cenário está posto de parte. Mais Fábio Faria pode lá chegar e ser uma opção válida. Basta, para isso, que tenha minutos e muita rodagem. Não como central, que aí me parece ser um jogador perfeitamente banal, mas como lateral-esquerdo.
Quanto a Jara, devo dizer que ainda vi muito pouco. Falhei a grande
prova de afirmação do jogador, mesmo no início da pré-temporada, e dos jogos que vi, pouco apanhei. Tem, de facto, bons pormenores, boa qualidade técnica e rapidez de execução. Não é um Saviola, mas é um jogador que faz bem o lugar. A juntar à revelação Kardec, ao decisivio Wéldon e ao sempre útil, Nuno Gomes, o Benfica fica com um leque de avançados de grande qualidade, que será capaz de substituir, sempre que necessário, os dois titulares, Óscar Cardozo e Javier Saviola.

Chegamos finalmente àquele que é, a meu ver, a grande contratação deste Benfica, versão 2010/2011: Nicolás Gaitán. Um jogador diferente de Di María, mas com um estilo de jogo mais viável para o actual esquema de jogo do Benfica. Gaitán, como se tem visto, é um jogador que, ao contrário de Di María, procura fazer movimentos mais interiores, com combinações com Aimar, ou Saviola. Di María, pelo contrário, identificava-se mais com a imagem do extremo puro, que procura desequilibrar no um para um nas imediações da faixa lateral. Era, portanto, um jogador à parte. Tanto poderia brilhar e resolver o jogo numa iniciativa individual, como ficar durante 90 minutos afastado do jogo da equipa, sem encontrar o seu espaço no jogo. Já Gaitán, apresenta uma forma de jogar que se complementa com os restantes membros do ataque encarnado. Para além dos já referidos, Aimar e Saviola, onde o entendimento é notório, foi perceptível também, no jogo de ontem, que o entendimento com Fábio Coentrão pode funcionar muito bem. Com Gaitán a deslocar-se mais para o meio do terreno, Coentrão terá mais espaço para percorrer toda a faixa lateral do ataque do Benfica. A combinação entre os dois vai, certamente, funcionar, mas antes terá de passar pelo pequeno período de adaptação. Não só para Gaitán, mas também para Coentrão, que tem agora do seu lado, um jogador diferente de Di María.
Este Benfica acaba por ser uma versão mais avançada e com mais recursos do que o anterior. Apesar de ter perdido Di María, o Benfica apresenta um plantel mais forte do que na temporada passada. Para além de Ruben Amorim, Carlos Martins e Wéldon, que já eram consideradas opções de recurso acima da média, o Benfica conta agora com o reforço Jara e os já ambientados ao futebol da equipa, Aírton e Alan Kardec. Portanto, qualquer ausência no onze titular, pode ser prontamente reparada com outro jogador de um nível elevado, que nunca irá colocar em causa o rendimento da equipa. E assim, com um plantel edificado com algum tempo de preparação, este Benfica será certamente o principal candidato à vitória final. O favoritismo é, para já, da equipa de Jorge Jesus.