Faço uma pequena interrupção nas minhas férias, para fazer um breve rescaldo dos jogos da primeira jornada do campeonato. Confesso que do jogos dos 3 candidatos, apenas não consegui ver o jogo do Braga, mas fiando-me nos relatórios de jogo e no 3-1 final, parece-me que a vitória foi inteiramente justa. Que a sorte desse jogo acompanhe a equipa do Braga no jogo de mais logo, frente ao Sevilha. Vai ser duro, mas há hipóteses.

Nos restantes jogos, e começando pelo FC Porto, a vitória por 1-0 frente à Naval acabou por ser um prémio imerecido para os pupilos de Villas Boas, que em nada justificaram o resultado final obtido. Bem longe da qualidade de jogo que exibiram frente ao Benfica, na Supertaça, os jogadores do FC Porto tiveram imensas dificuldades para ultrapassar a muralha defensiva da Naval (bem organizada, diga-se), que fez do contra-ataque a sua principal arma ofensiva. E fica a ideia que o Porto nunca teria conseguido criar uma situação de verdadeiro perigo para a baliza da Naval, se não fosse a grande penalidade assinalada, já próxima do final do jogo. Apesar de ter algumas dúvidas em relação ao lance, não vou criticar o árbitro da partida, Paulo Baptista, por ser um lance de difícil análise. Tivesse marcado, ou não, a decisão teria de ser respeitada, já que não é um lance de fácil análise.
Ah, já me esquecia. Fui tão criticado por falar mal de Hulk... Vejam-me o jogo dele com atenção e digam-me em que é que ele é um jogador com "características únicas no fu
tebol português"? Só se for na falta de pontaria com a baliza ou na enormidad
e de perdas de bola que acumula durante um jogo inteiro. Não vejo outra razão, muito sinceramente....

Já o Sporting, acabou por voltar à triste realidade da temporada passada. A diferença neste jogo em relação aos jogos da época passada varia apenas no nome do inventor: o ano passado havia Carvalhal, este ano há Paulo Sérgio. É que aquele onze inicial não lembra a ninguém!!! Daniel Carriço a trinco? Esta não lembra a ninguém, ainda para mais, quando não foi testado uma única vez durante a pré-temporada nessa posição. As alas estavam entregues a dois jogadores criativos que jogam, normalmente, no centro do terreno (Matías e Valdés) e um ataque composto por duas nulidades (Postiga e Liédson). O que vejo neste "novo Sporting de Paulo Sérgio" é que não tem nada de novo em relação ao Sporting da época passada. Os reforços não se entrosaram com a equipa e as "maças podres" do plantel (Polga ou Grimi) vão-se ma
ntendo nos convocados da equipa. Ainda o campeonato vai no seu começo e já todos perceberam que o Torsiglieri é um flop, o Pongolle não vale nem metade do dinheiro que custou e o Maniche, pela sua idade, já não é fiável para ser o pêndulo do meio-campo da equipa. Pergunto eu, que é feito de Diogo Salomão? Foi dos jogadores que melhores indicações deram na pré-temporada e não tem lugar, nem sequer nos convocados? Vale mais ter lá o Grimi a ocupar um lugar?! Enfim, a época é diferente, mas os problemas são idênticos. (Bem disse que os sportinguistas ainda iriam ter saudades de Paulo Bento...).
Queria deixar uma nota de destaque para a equipa do Paços: equipa muito bem organizada por Rui Vitória, com muitos jogadores jovens, capazes de fazer uma temporada muito interessante nesta temporada. Atenção aos miúdos David Simão e Caetano.

Finalmente, chegamos àquele que foi, na minha opinião, o jogo com o desfecho mais surpreendente da jornada. Ninguém, no seu perfeito juízo, apostaria que o campeão nacional Benfica iria começar o campeonato com uma derrota, ainda para mais em casa, terreno onde foi imbatível, na temporada passada. Antes de mais, devo dizer que não percebo a ideia de Jesus: as melhores exibições do Benfica na pré-temporada foram sempre realizadas sob o novo esquema táctico 4-3-3, com Jara e Saviola nas costas de Cardozo. Ora, sem Gaitán, tudo apontaria para que Jesus apostasse nesta táctica com Jara a titular. No entanto, o treinador do Benfica trocou as voltas a toda a gente e apostou no "seu" 4-4-2 e deu a titularidade a César Peixoto. Resultado: 45 minutos de avanço para a Académica, derrota ao intervalo por 1-0 e a natural saída de Peixoto ao intervalo, com uma exibição, diga-se de passagem, miserável.
Ao intervalo, entrou Jara, o esquema mudou e a exibição também. O Benfica ficou forte e chegou rapidamente ao empate, graças a um golo de Jara, na sequência de mais uma grande, grande jogada de Fábio Coentrão. Por estas alturas, Coentrão é o grande desequilibrador da equipa do Benfica. Não tenho dúvidas de que já é um dos melhores do mundo na sua posição. A sua saída ou a de David Luiz, deixariam este Benfica em muito maus lençóis.
Depois, o Benfica intensificou o seu caudal ofensivo, e procurava de todas as maneiras chegar à vitória. Foi prejudicado em diversos lances pelo árbitro Cosme Machado, nomeadamente pelos dois penaltys não assinalados sobre Javi García e Saviola, na recta final do encontro. Aliás, o lance do 2º golo da Académica é construído depois da falta não assinalada sobre o trinco do Benfica, na área da Académica. O golo de Laionel é fabuloso e é daqueles lances que só acontecem uma vez na vida. A sorte do jogo esteve com os jogadores de Jorge Costa e a vitória no terreno do Benfica é algo que, certamente, nem o treinador da Académica conseguia acreditar antes do jogo.
O Benfica continua a precisar de um extremo de raiz, que saiba desequilibrar como Di María. Gaitán tem qualidade, mas não garante a mesma eficácia no cumprimento da posição, como fazia o antigo extremo do Benfica. Roberto não demonstrou insegurança, nem falhou, mas também não brilhou. Fica a ideia que podia estar melhor posicionado no lance do golo de Laionel. Na defesa, sentiu-se a ausência de Luisão e Sídnei voltou a comprometer, ao falhar a marcação no 1º golo da Académica. Espero que os responsáveis do Benfica abram os olhos e entendam que, quer Miguel Vítor, quer Roderick, são melhores do que o central brasileiro.