Independentemente do pequeno momento de genialidade de Pablo Aimar (ver no post em baixo), o momento de forma do Benfica pode não ser suficiente para chegar ao dragão e lutar pela vitória. No jogo de ontem, na Luz, voltou-se a ver um Benfica pouco produtivo, que viveu dos rasgos de Coentrão, da capacidade de organizar jogo de um Aimar, com muito espaço dentro de campo, e de um Roberto muito activo e extremamente seguro em campo.
No entanto, o facto de Roberto ter estado particularmente activo, no jogo de hoje, implica que o Benfica tenha deixado o Paços de Ferreira jogar. Jorge Jesus cumpriu o seu papel e não quis apontar fragilidades à sua equipa, deixando a justificação de que tudo isto não tinha passado de estratégia. Estratégia ou não, mas, de facto, não é normal o Benfica deixar tanto espaço para os jogadores do Paços jogarem e terem, inclusivamente, mais remates (17 para 15 do Benfica). E os jogadores do Benfica, e JJ, têm de ter a noção que no dragão, dando este espaço a jogadores como Hulk, Varela, Moutinho ou Belluschi, não terão a mínima hipótese de lutar pela vitória. Mais claro que isto é impossível. O Porto, neste momento, joga o dobro da equipa do Benfica e tem melhores opções no banco de suplentes para manter um ritmo elevado no encontro durante 90 minutos.
O Benfica, este ano, está a viver de um onze base e pouco mais. Salvio não me convence nem um bocadinho, Kardec, ao contrário do que muita gente defende, está a milhas de Óscar Cardozo, e o César Peixoto só lá está, porque não há melhor e o Fábio Coentrão tem de subir ao meio-campo para criar os desequilíbrios que Gaitán não tem sabido fazer.
Portanto, um Benfica semelhante aos últimos jogos, com Javi García sozinho no meio-campo e a dar espaço ao adversário, para tentar sair em contra-ataque, vai ser esmagado no dragão. Não há hipótese. Jesus, a meu ver, terá de ser humilde no dragão e ver que a sua equipa, no momento actual, não é superior ao FC Porto. Ainda para mais, sem Ruben Amorim e, principalmente, Cardozo. Portanto, deveria abordar o jogo de forma mais cautelosa, talvez com Airton e Javi juntos no miolo. De outra forma, este Benfica 2010/2011, vai ter sempre muitas dificuldades para discutir o jogo com um adversário de alto nível. O modelo de jogo habitual do Benfica de Jesus, este ano, não está feito para jogar contra equipas mais fortes. Já se viu isso no jogo da Supertaça e nos jogos da Liga dos Campeões, e arriscamo-nos a ver, de novo, no dragão, se Jesus insistir no mesmo erro. É que, sem Ramires, é muito fácil "destruir" o meio-campo do Benfica segurado apenas por Javi García.



