Sábado, 30 de Outubro de 2010

Os problemas de espaço no jogo do Benfica


Independentemente do pequeno momento de genialidade de Pablo Aimar (ver no post em baixo), o momento de forma do Benfica pode não ser suficiente para chegar ao dragão e lutar pela vitória. No jogo de ontem, na Luz, voltou-se a ver um Benfica pouco produtivo, que viveu dos rasgos de Coentrão, da capacidade de organizar jogo de um Aimar, com muito espaço dentro de campo, e de um Roberto muito activo e extremamente seguro em campo.
No entanto, o facto de Roberto ter estado particularmente activo, no jogo de hoje, implica que o Benfica tenha deixado o Paços de Ferreira jogar. Jorge Jesus cumpriu o seu papel e não quis apontar fragilidades à sua equipa, deixando a justificação de que tudo isto não tinha passado de estratégia. Estratégia ou não, mas, de facto, não é normal o Benfica deixar tanto espaço para os jogadores do Paços jogarem e terem, inclusivamente, mais remates (17 para 15 do Benfica). E os jogadores do Benfica, e JJ, têm de ter a noção que no dragão, dando este espaço a jogadores como Hulk, Varela, Moutinho ou Belluschi, não terão a mínima hipótese de lutar pela vitória. Mais claro que isto é impossível. O Porto, neste momento, joga o dobro da equipa do Benfica e tem melhores opções no banco de suplentes para manter um ritmo elevado no encontro durante 90 minutos.
O Benfica, este ano, está a viver de um onze base e pouco mais. Salvio não me convence nem um bocadinho, Kardec, ao contrário do que muita gente defende, está a milhas de Óscar Cardozo, e o César Peixoto só lá está, porque não há melhor e o Fábio Coentrão tem de subir ao meio-campo para criar os desequilíbrios que Gaitán não tem sabido fazer.
Portanto, um Benfica semelhante aos últimos jogos, com Javi García sozinho no meio-campo e a dar espaço ao adversário, para tentar sair em contra-ataque, vai ser esmagado no dragão. Não há hipótese. Jesus, a meu ver, terá de ser humilde no dragão e ver que a sua equipa, no momento actual, não é superior ao FC Porto. Ainda para mais, sem Ruben Amorim e, principalmente, Cardozo. Portanto, deveria abordar o jogo de forma mais cautelosa, talvez com Airton e Javi juntos no miolo. De outra forma, este Benfica 2010/2011, vai ter sempre muitas dificuldades para discutir o jogo com um adversário de alto nível. O modelo de jogo habitual do Benfica de Jesus, este ano, não está feito para jogar contra equipas mais fortes. Já se viu isso no jogo da Supertaça e nos jogos da Liga dos Campeões, e arriscamo-nos a ver, de novo, no dragão, se Jesus insistir no mesmo erro. É que, sem Ramires, é muito fácil "destruir" o meio-campo do Benfica segurado apenas por Javi García.

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

Pura classe

Dá gosto ver um jogador assim no nosso campeonato...

Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Não querendo bater mais no ceguinho, mas...

Sem Ramires, o meio-campo do Benfica é outra coisa. O problema não foi a saída do Di María, mas sim a do internacional brasileiro. Javi García não está igual ao ano passado, porque não tem as linhas de passe a meio-campo, que tinha o ano passado. Ramires, com a sua enorme disponibilidade física para defender e atacar, permitia que o espanhol tivesse sempre uma linha de passe para dar início a transição da defesa para o ataque da equipa do Benfica. Sem Ramires, nem Gaitán, nem Carlos Martins e, raramente Aimar, descem para auxiliar Javi. E os resultados estiveram à vista no jogo de ontem: um jogo de grau de dificuldade elevado resultou numa enormidade, quase absurda, de passes falhados.
Há uns anos atrás, o Benfica teve as mesmas dificuldades, aquando da saída de Karagounis do plantel. Outro enorme jogador, que, sem se dar muito por ele, estava sempre disposto a receber a bola e a criar uma linha de passe aos jogadores mais recuados. A sua saída do plantel também deixou marcas na equipa, e, no ano seguinte, a transição defesa-ataque da equipa do Benfica era sempre efectuada do mesmo modo: "chutão" do Luisão para o meio-campo adversário.
Portanto, se o Benfica não quer voltar ao mesmo de alguns anos, tem de contratar obrigatoriamente um jogador com características semelhantes às de Ramires. Carlos Martins não é Ramires, Ruben Amorim não será Ramires e Salvio, nunca na vida, vai ser o jogador que o Benfica precisa para o lado direito. E, neste esquema táctico de JJ, é fundamental ter um jogador semelhante a Ramires na equipa.

Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

Renascer e respirar fundo


2 jogos, 2 vitórias, 6 golos marcados, 2 sofridos, 2 golos com a marca de CR7, que está como novo. Excepção feita aos 2 golos sofridos de bola parada, a estreia de Paulo Bento à frente da Selecção Portuguesa está a correr bem. Como se esperava que corresse. Quem lê o blog com relativa assiduidade sabe que eu sempre fui um defensor de Paulo Bento (já o era nos tempos em que era treinador do Sporting) e que sempre o achei a melhor opção para o cargo.
Nestes dois jogos, Paulo Bento não inventou, jogou com os melhores e não teve medo de arriscar. Mesmo a vencer pela vantagem mínima, Paulo Bento não fraquejou, jogou ao ataque e não teve a tentação de defender o resultado. Portugal renasceu nestes 2 jogos e respirou fundo para o que aí vem. Continua a não haver margem de erro, mas as exibições da equipa dão confiança para o futuro. Em Junho há mais.

Portugal de Bento


Antes de mais, um pedido de desculpas aos leitores do blog pela minha demorada ausência. Estou de regresso, espero eu, a tempo inteiro.
Enquanto estive fora, Paulo Bento venceu a primeira das finais com categoria, frente à que é, na minha opinião, a selecção mais forte do grupo, atrás de, claro está, Portugal. Paulo Bento, ao contrário do anterior seleccionador, não inventou e colocou em campo os melhores. Jogou com um meio-campo forte, com Martins e Moutinho em grande momento de forma, aproveitou a dupla Carvalho-Pepe do Real e colocou-a de início e não teve receio de apostar no estreante João Pereira para o lado direito da defesa. Para além disto, contou com um Nani em grande forma e um Cristiano Ronaldo alegre em campo (coisa que já não se via há muito no nosso país). O resultado tinha de ser, obviamente, satisfatório. Somos, de longe, a melhor selecção do grupo e uma das melhores a nível internacional. Resta apenas prová-lo em campo. Portanto, o jogo de mais logo é mesmo para ganhar, já que a Islândia é, em todos os aspectos, inferior a Portugal.