Domingo, 4 de Dezembro de 2011

Entrevista com a actriz e apresentadora, Cláudia Semedo

Cláudia Semedo

"Gosto de sair para a rua, conhecer as pessoas e contar a sua história"

Não gosta de guardar sonhos, prefere persegui-los. Sonha participar numa peça realizada por Pedro Almodôvar. A pintura, a escrita e a leitura preenchem o pouco tempo livre que lhe resta. Gosta de ouvir histórias e reproduzi-las para todos. Quer ser jornalista e ser capaz de mudar o mundo.

É actriz, apresentadora de televisão, locutora de rádio, dançarina, dobradora… Actualmente está a tirar um curso de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, a apresentar o programa “Nós”, na RTP2 e a “Química das coisas”, na RTP1, e faz parte do elenco da série “Maternidade”, também da RTP1. O seu nome é Cláudia Semedo.


- Vês-te como jornalista daqui a uns anos?
- Ah… vejo-me como Cláudia. Não me imagino a optar pela informação e a deixar tudo o resto para trás. Mas imagino-me a utilizar os conhecimentos de jornalismo que aprendi aqui no curso da ESCS para fazer um outro tipo de trabalho.

- Em alguma área em especial?
- Gosto da possibilidade de não ter de ser jornalista para fazer, por exemplo, uma grande reportagem. Gosto muito dessa área: de poder sair para a rua, falar de histórias que se contam, ainda que não sejam histórias de protagonistas mediáticos. Gosto de conhecer pessoas, contar a história delas, investigar a sua vida e perceber como é que isso pode influenciar ou mudar a vida de alguém. É bom ouvir uma história contada na primeira pessoa.

- Em que medida é que este curso de jornalismo te poderá ajudar no futuro? Qual é o complemento que achas que ele te dará?
- É engraçado… eu vim para aqui, para a escola de jornalismo, e esta é uma área que se cruza bastante com aquilo que eu faço na minha vida. Isto porque actualmente o que eu faço é “Infotainment”, que é um híbrido entre informação e entretenimento. Vim para jornalismo porque queria tirar um curso que me ensinasse o mais possível, que me desse cultura geral. Inicialmente queria ter optado por Direito, Ciência Política ou Relações Internacionais, mas quando comecei a ver o currículo dos cursos achei muito talhados só para uma coisa. E quando vi o currículo do curso de jornalismo pensei: “Ok, é isto que eu quero”. É mais amplo, é mais geral, toca em várias áreas… a Sociologia, a Economia, a Antropologia, a História, tinha um bocadinho de tudo. Mas, agora que já estamos no terceiro ano, eu de repente descobri aqui uma veia que me pulsa muito forte. Eu vim ao mundo com uma missão: melhorar um bocadinho dentro das minhas possibilidades. Através do jornalismo consigo fazer isso. De uma forma muito clara consegues mudar o mundo e, então, isso conciliou muito bem com a pessoa que eu sou. O curso está a ajudar-me imenso e ensina muita coisa, conta-te histórias muito interessantes.

- Como é que consegues conciliar tantas actividades profissionais ao mesmo tempo?
- Actualmente acabo por conciliar tudo com muita ginástica, com uma grande agenda e um excelente agente. Estou com uma vida um bocadinho complicada, neste momento. Gravo de Segunda a Sexta-Feira das oito às oito, porque são esses os planos de trabalho. De vez em quando gravo só de manhã, ou só à tarde, e consigo no entretanto dar aqui um pulinho à faculdade. Ao fim-de-semana gravo os outros programas que tenho, o “Nós” e a “Química das coisas” e basicamente durmo. Como, durmo e trabalho. Mas eu não sinto que estou a trabalhar, eu sinto que estou a fazer aquilo que gostava de fazer. Eu tenho o prazer e a sorte de fazer aquilo que amo, e quando assim é, tu arranjas sempre tempo para fazer as coisas.

- Então, nesse caso, nunca te sentes sobrecarregada?
- Não me sinto sobrecarregada, mas também não acredito na velha máxima de “quem corre por gosto não cansa”. As pessoas cansam, mas é aquele cansaço bom de como quando vais ao ginásio e sentes que cumpriste a tua missão de trabalhar aqueles músculos, é esse tipo de cansaço que eu sinto. Mas a alegria de puder fazer coisas que me estão a ajudar a crescer dentro das áreas que eu decidi apostar, profissionalmente, acho que atenua esse cansaço.

- Como é se processou toda esta evolução na área da televisão?
- Tudo começou com um casting para o “Curto Circuito”, da SIC Radical. A minha irmã viu no jornal que estavam a abrir um casting para apresentadoras de televisão e disse-me “Ah, tu tens tanta lata, porque é que não tentas?”, e enviámos uma fotografia minha, na brincadeira. Fui seleccionada e acabei por ficar, depois de várias eliminatórias, nos 5 finalistas. Apresentei o programa durante uma semana, com o Rui Unas, o Fernando Alvim e a Patrícia Bull. Diverti-me imenso. Acabou por ganhar a Teresa Tavares, mas recebi logo um telefonema da SIC para integrar um programa novo. Não me disseram que era com a Catarina Furtado e ainda bem, porque se não tinha ficado um bocadinho nervosa. Fui ao casting e ganhei. Acabei por entrar no programa “Catarina.com”, e conheci um grupo de pessoas muito engraçado: a Catarina Furtado, que acabou por ser uma referência, para mim, neste ramo, a Sílvia Alberto, a Liliana Campos, a Joana Cruz e o Nuno Eiró. Tudo correu bem e assinei logo contrato. Fiquei lá cerca de sete anos. Consegui fazer de tudo um pouco: desde apresentar programas a fazer reportagens, novelas, séries e filmes. Foram sete anos muito felizes, mas depois senti necessidade de mudar de área porque, apesar de gostar de entretenimento, eu queria programas onde eu pudesse exercer o meu sentido de cidadania, aquela tal ambição de querer mudar o mundo.

- Para além do “Catarina.com”, houve mais algum trabalho, a nível televisivo que te tenha marcado?
- Amei fazer o “Mega Ciência”, que era um programa que eu co-apresentava com um cientista, o Leonel Silva. Era um programa onde fazíamos experiências e explicávamos os fenómenos químicos e físicos das coisas Foi fantástico, porque apesar de ser um programa de entretenimento, acabávamos sempre por ensinar alguma coisa. Foi gratificante, na altura, receber cartas de mães a agradecerem-me por ter um motivo para conversar com os filhos. Ainda hoje, pessoas da minha idade e mais velhos falam-me do “Mega Ciência”. O “Desafio Verde” também foi outro programa que me marcou muito. Era sobre ecologia. Gostei imenso porque entrava na casa das pessoas e sugeria mudanças de atitude que podiam ser benéficas para todos nós. A interacção com as pessoas, na primeira pessoa, directa, olhos nos olhos, ir para a rua… gosto disso. O “Nós” também é um programa muito importante porque ajuda uma franja da população que muitas vezes está completamente afastada e à parte da sociedade: os emigrantes. Ainda existem muitos problemas por resolver relacionados com toda a questão da integração e do diálogo intercultural. Portugal tem das melhores políticas de integração, mas ainda há muita coisa por fazer. Sinto que me vou cumprindo a cada projecto que escolho e isso é uma sensação óptima.

- E enquanto actriz, como é que começou a surgir a tua paixão por essa área?
- Eu sempre disse que queria ser actriz, desde pequena. Aos três anos já montava espectáculos em casa. Desde essa idade que o meu avô me chamava “teatrista”, portanto já se adivinhava que havia ali o futuro. Eu entrei nesta área através de um convite para uma curta-metragem de Janes Valdes, uma realizadora da Suíça. Fiz o casting e fui aceite. Ah… mas estou a esquecer-me do meu primeiro momento relacionado com esta área: aos sete anos, a Sesame Street Around the World esteve em Portugal e eu fui escolhida para falar com o Poupas, o Big Bird. Eu vinha a correr, a descer as escadas, com um fato de treino cor-de-rosa e dizia: “Wait, wait, wait… one more wish”, e o Poupas dizia “Yes?”, e eu dizia “I would like to go to Costa de Caparica dressed up bright clothes and dance on the beach”. Passei o dia com eles e esta acabou por ser a minha primeira verdadeira experiência como actriz. Adorei e percebi logo que era o que queria. Quando acabei a escola, tive a minha primeira peça mais a sério. Fui chamada para entrar na peça “A viagem de Pedro Fortunato” encenada pela Fernanda Lapa, no Teatro Nacional D. Maria II. Foi uma coisa grandiosa.

- E qual é que foi o projecto que mais te marcou enquanto actriz?
- Isto não é nada ser politicamente correcta, mas gostei de todos, principalmente em teatro. No entanto, houve um projecto que me “doeu” mais, porque custou a sair do meu corpo. Foi em 2008, quando encarnei a personagem Neuza Sueli, na peça “Navalha na Carne”. Era uma prostituta, que vivia sem condições, e que estava no limiar daquilo que podíamos considerar o que é um ser humano. Foi um projecto intenso, completamente distante da minha realidade e que precisou de muito trabalho de investigação. Dei por mim a ir atrás de informação sobre a prostituição, a ir falar com prostitutas, a parar o meu carro em Lisboa, Em Monsanto, no Restelo… Tive ajuda do Dr.º Quintino Aires (Psicólogo) para compreender o comportamento de algumas prostitutas, porque ele trabalha com várias que estão em recuperação e acabei por acompanhar algumas consultas. De repente, não te limitas a ver e escrever. Estava demasiado incorporada com o papel. Foi um processo doloroso em que eu, como actriz, senti, pela primeira vez, que me consegui despojar completamente do que é a Cláudia. Regra geral, eu encontro sempre uma afinidade ou outra com a personagem. Ali nada me ligava com a personagem. Até a minha mãe se incomodou com a minha representação.

- Achas que foi uma peça que te enriqueceu e que este papel vai marcar a tua carreira?
- Foi a primeira vez que eu recebi prémios e nunca pensei que isso viesse a acontecer. Marcou-me e enriqueceu-me imenso. Aprendi muito com este papel.

- O que achas da recente evolução do cinema português?
- Ainda se consome muito pouco cinema português, em Portugal. Tem que ver com a identidade do nosso povo, penso eu. Os espanhóis têm um orgulho imenso naquilo que é deles. Em Espanha é tudo dobrado. Nós, portugueses, somos o contrário. Só acreditamos que estamos a fazer uma coisa realmente boa quando vêm alguém de fora e diz: “Olha isto é muito bom, vocês são bons a fazer isto”. É a mentalidade do é “tuga” é fraco. E há coisas muitos boas, que são portuguesas. O último filme do João Canijo, “Sangue do Meu Sangue”, tem uma realização tão boa ou melhor do que muitos filmes reconhecidos em Hollywood. Tem uma história muito boa, com actores excelentes e uma realização extraordinária.

- Como é que apelarias para que o povo português fosse ao cinema ver filmes portugueses?
- Vejo que os actores estão cada vez mais apostados em fazer uma boa composição das personagens. As histórias estão cada vez melhor escritas… há mais qualidade técnica. Há uma evolução natural de quem vai fazendo cinema. E se fizermos mais cinema português, vai haver ainda mais qualidade. Não acho que haja falta de motivação para haver mais cinema, há sim um enorme desapego por quem o financia. É aqui que mostramos se somos ou não um país que apoia a sua cultura. E não falo só de arte, falo de cultura geral. Fazemos tudo com grande custo. Temos de nos apoiar nos fundos de investimentos espanhóis e franceses, que apoiam o cinema do Mundo. Depois, lá está: gravas pouco, filmas pouco, logo não podes falhar. Lá fora, de falham, têm a oportunidade de fazer outro. Aqui é quase “one shot”, se falhas, estás condenado.

- Na apresentação, já referiste que a Catarina Furtado é uma das tuas referências. E na área da representação?
- Em Portugal temos belíssimos actores. O João Perry foi um dos meus primeiros directores de actor e é uma referência gigante. Mas há tantos, de tantas idades. Desde o Ruy de Carvalho e a Eunice Muñoz, que são, sem dúvida, duas das lições de como representar bem, até ao João Lagarto, o Nicolau Breyner, a Maria João Luís, a Sandra Faleiro, a Carla Galvão, a Carla Maciel, a Carla Belo, a Margarida Carpinteiro… Tens muito talento em Portugal e tenho muita gente que admiro enquanto actor. E mais jovens então… Tens o Ivo Canelas… Homens há tantos! O Nuno Lopes que é da comédia, ao drama, à tragédia, ao absurdo… Aquele homem é brilhante! O Albano Jerónimo, que também está a fazer uma carreira muito bonita. A Isabel Abreu, outra rainha da representação portuguesa. Há muito material humano, felizmente.

- Já falamos das áreas da apresentação e representação… E na rádio, como é que tudo começou?
- Comecei na Rádio Renascença com 14 anos. Estive dois anos a fazer um programa, chamado o “Programa da Malta”, que era dedicado a crianças. Fazia de “rato micro”, que era um ratinho que explicava as palavras complicadas às crianças. Nesse projecto, a locutora do programa era a Mariana Marques Vidal. Tive uma sorte gigante! Ela é uma senhora da rádio. Adoro-a! É uma locutora espectacular, tem cuidado com o português, tem imensas coisas para dizer… é aquela pessoa que eu escolheria para viajar comigo. Teria uma viagem interessante, porque sabia que ia ter sempre algo para falar ou para ouvir.

- E depois avançaste para as manhãs da Antena 3 com o Nuno Markl, José Mariño e Jorge Botas.
- Sim, mais a sério, com plena consciência daquilo que estava a fazer enquanto profissão. Foi uma experiência que eu espero honestamente repetir, em breve. Mais do que televisão, foi um cantinho onde eu descobri o prazer de comunicar, de falar com alguém, de contar algo. Em rádio tens tempo para falar, na televisão não. Estás sempre ao serviço dos minutos.

- Em rádio é tudo mais natural?
- Sim, claramente. Tínhamos 3 horas de programa em que ficávamos a falar com as pessoas e a contar coisas. O filme que foste ver ontem à noite, as notícias que ouviste antes de sair de casa… Partilhas tudo isso com as pessoas. A rádio obriga-te a ser um comunicador muito melhor e a estar atento ao português. Obriga-te a ser uma pessoa mais interessante. Se não tiveres nada de interessante para dizer, não há cá uma imagem bonita, um vestido bonito ou um penteado engraçado que te valha. Ou tens alguma coisa para dizer ou não há programa. Acho que nunca disse isto, mas eu gosto mais de fazer rádio do que fazer televisão.

- Pretendes voltar um dia a este ramo?
- Claro, hei-de voltar. Só não o fiz ainda porque tenho outros projectos. E eu sinto que ainda não tenho tempo para me dedicar a sério à rádio. Quero acabar o curso, finalizar estes projectos todos e depois regressar para ter um programa escrito por mim.

- E já está a ser idealizado?
- Já, até já está escrito. Quero é ter tempo para o fazer a sério e não ter distracções. Quando lá estive anteriormente, tinha sempre o teatro e a televisão pelo meio. Mas agora é onde quero estar, mal tenha tempo.

- Recentemente estiveste no programa “Dança Comigo”, da RTP. Como foi essa experiência?
- Foi muito interessante e reencontrei a minha Catarina (Catarina Furtado) lá. Também estive no “Dança Comigo no Gelo”, mas não gostei tanto. Tinha de estar preocupada com uma série de coisas: estás com patins em cima de gelo, com saias curtinhas… Não dava para aproveitar o momento e apreciar a dança. No “Dança Comigo” foi o inverso. Fui lá duas vezes, passei as eliminatórias e diverti-me imenso. Dancei o Mambo, a Rumba, a Valsa, Jive… Era muito giro fazer todas as coreografias. E eu quando era pequenina estive alguns anos no “Bateau Toieto”, que é um grupo de danças tradicionais africanas. Dá-me muito prazer dançar.

- E nunca pensaste em enveredar por esta carreira, de forma profissional?
- Sim, pensei. E tenho pena de, em pequena, não ter tido ballet. Era uma profissão que podia ter levado a sério. Mas também é certo que em Portugal não há condições para os bailarinos. Lá fora há dançarinos reconhecidos e com carreira. Em Portugal temos imenso talento e vontade, mas poucas estruturas e infra-estruturas para as artes.

- Ler um livro, ouvir música, ver televisão… Que hobbies, no pouco tempo que tens, é que preenchem o teu dia-a-dia?
- Eu preciso de ter sempre um livro na minha cabeceira, mesmo que não o leia todos os dias. Antigamente ainda fazia isso, hoje em dia é mais complicado. Leio guiões para os programas e para a novela, mas não é a mesma coisa, claro. Também gosto muito de ouvir música. Não vivo sem ela. Tenho sempre a aparelhagem ligada quando estou em casa, mesmo quando estou a estudar. Eu acho que devíamos ter uma banda sonora que nos acompanhasse na rua, no ginásio, em casa… escolhida por nós, mentalmente. Bastava pensares e a música começava a dar. Para além disto, gosto muito de jogar ténis também. Quando não tenho gravações logo às oito da manhã, vou sempre jogar um bocadinho.

- É aproveitar o pouco tempo que tens…
- Tento aproveitar os minutinhos todos… Também adoro cozinhar! Já tive a sorte de poder cruzar o meu mundo profissional com o pessoal, no ano passado, quando estive a gravar um programa de gastronomia chamado “A Prova dos Três”. Ia de Norte a Sul a descobrir ingredientes característicos das terras por onde passava e lançava desafios aos restaurantes. Acabava sempre por cozinhar com eles. Ah… também adoro pintar! Os quadros da minha casa foram todos pintados por mim. Vá lá, se eu estragar alguma coisa, só estrago a minha casa. Também já me pediram quadros para eu pintar e sempre o fiz com gosto. A pintura tranquiliza-me.

- O que é que ainda te falta fazer na tua carreira?
- Olha ainda me falta escrever um romance. Já escrevi livros infantis com as minhas irmãs e contos para livros. Mas agora sinto a necessidade de fazer algo diferente. Eu adoro escrever e escrevo muito. E sinto que um dia vou querer partilhar, mas ainda não quero. Já me chatearam, já me desafiaram…

- Ainda não é a altura certa? Terás de vivenciar mais alguma coisa?
- Sim, acho que preciso de mais maturidade, por assim dizer. Com o livro tenho o receio sobre se as pessoas vão gostar mesmo ou não. Por agora, vou reescrevendo-o e editando-o. Quando for a altura certa, avançarei.

- Guardas algum sonho para o teu futuro?
- Os sonhos não são para se guardar. Os sonhos são para se perseguir.

- Persegues algum sonho?
- Persigo. Senhor Almodôvar… Eu sei que ele já me viu representar, isto é brutal! Quando filmei “O Último Voo do Flamingo”, soube que o Pedro Almodôvar esteve na estreia. Portanto, já estivemos mais longe. Quero trabalhar com o Almodôvar. Sou fã do trabalho dele. Acho que ele trabalha verdadeiramente a massa do actor.

- Consideras-te uma pessoa feliz e realizada?
- Sou uma pessoa muito feliz, que tem vários momentos de felicidade. A felicidade não é uma coisa constante, é algo que vai surgindo consoante os vários estados de espírito e de humor. Aparece sem motivo aparente. Faço aquilo que gosto e tive a sorte imensa de nascer numa família que se ama e que me ensinou a “tocar” nas pessoas, de coração para coração. É isso que persigo diariamente, a verdade dos sentimentos. É o mais importante.


(Mário Alexandre Oliveira, nº5608, Turma A de Jornalismo - Junho 2011)
Esta entrevista foi realizada no âmbito da cadeira de Ateliê de Imprensa II, leccionada pelo Prof. Paulo Moura.
A fotografia apresentada tem direitos de autor reservados ao site Sapo Cinemas.

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