Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Filmes a ter em conta para os próximos Óscares

Aqui ficam alguns filmes a ter em conta para a próxima edição dos Óscares, em Hollywood.


"Moneyball - Jogo de Risco", realizado por Bennett Miller e baseado numa história verídica, conta a história de um manager de uma equipa de basebol, de pequena dimensão, norte-americana, que procura reforçar a sua equipa, através de um método matemático pouco comum, para comprar jogadores. Pode parecer mais uma típica história cinematográfica, ligada ao sucesso no Desporto, mas o filme vai mais além. E Brad Pitt encarrega-se de o obrigar a ficar preso ao ecrã. Mais uma. Sim, mais uma prestação que roça o brilhantismo, de Brad Pitt. É incompreensível...inadmissível, aliás, que Pitt, em toda a sua carreira, tenha apenas uma nomeação para o Óscar de melhor actor principal (Em 1995, pelo filme "12 Monkeys", apenas ultrapassado, nesse ano, por um ainda mais brilhante Kevin Spacey, no filme "Usual Suspects" - que, já agora, para quem não viu, procure já arranjar maneira de o fazer). Moneyball - Jogada de Risco, conta ainda com Jonah Hill e Philip Seymour Hoffman para rechear o elenco com mais qualidade nas interpretações secundárias do filme. Um filme que, a meu ver, não tem argumentos para vencer o Óscar de melhor filme, mas que pode, e deve, estar nomeado.


Acerca do filme "Midnight in Paris", já muito foi dito e discutido. Woody Allen apresenta-nos um filme romântico, carregado de representações culturais interessantíssimas, que nos levam para um novo imaginário, no qual a bela cidade de Paris acaba por ser o foco principal do filme. O choque de personalidades entre Gil (interpretado por um surpreendente Owen Wilson) e a sua esposa Inez (Rachel McAdams) é exposto, no momento em que chegam à cidade e se apercebem que têm conceitos diferentes sobre aquilo que é verdadeiramente a vida. Gil encontra em Paris um refúgio para os seus devaneios e pensamentos e acaba por viajar para um "Mundo" diferente, que lhe permite encontrar respostas para questões que, até à data, ainda se encontravam por responder. Uma mistura de fantasia com romantismo, que merece o destaque que tem tido em Portugal e no estrangeiro. Verdadeiramente fantástico o trabalho "de casa" de Woody Allen na composição do filme e na escolha da personalidade de cada personagem.


Por fim, mas não menos importante, vem "Drive", um filme realizado pelo desconhecido Nicolas Winding Refn, que conta a história de um condutor de automóveis (Ryan Gosling), que divide o seu tempo entre o trabalho na oficina do seu parceiro Shannon (Bryan Cranston) e num trabalho como duplo de cinema, em cenas de alto risco. A história adensa-se quando o rumo de vida do condutor é alterado e deriva para o mundo da criminalidade, onde coloca a sua vida em risco, juntamente com a da sua vizinha, Irene (Carey Mulligan), e seu filho, com quem estabelece, desde início, uma relação de carinho e afecto. A partir desse momento, o filme avança para um ritmo, quase frenético, que conjuga uma forte violência física a uma carga emocional e psicológica ainda mais exigente. No entanto, Drive vai mais além. Drive é mais do que um simples filme de acção e violência. O ritmo que Refn emprega no filme é o ideal para deixar qualquer espectador a pensar naquilo que está a ver. E este filme puxa muito pelo pensamento de cada um. Principalmente, na tentativa de interpretação acerca da verdadeira personalidade do protagonista, Driver. Ryan Gosling, o novo "menino bonito" de Hollywood faz, muito provavelmente, um dos melhores papéis da sua carreira e afirma-se, claramente, como uma das grandes revelações deste ano de 2011. É extremamente interessante o jogo que o personagem faz com o espectador. A tentativa de perceber o que vai mesmo na cabeça do recatado Driver, na altura de entrar em acção, deixam sempre uma dúvida na cabeça do espectador acerca dos verdadeiros escrúpulos do condutor (a fazer lembrar a personagem Dexter, na série norte-americana da estação Showtime). Se Ryan Gosling não é nomeado para o Óscar de melhor actor, vou ali e já venho. Lamento, mas para injustiças em Hollywood já basta aquilo que têm feito com Brad Pitt e Leonardo DiCaprio. Uma menção honrosa ainda para Albert Brooks (no papel de Bernie). Excelente interpretação, merecedora de uma nomeação para os prémios de Hollywood.

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