Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

Uma selecção recheada de jogadores sem carácter


Tiago junta-se a um restrito grupo de jogadores, composto por Miguel, Paulo Ferreira e Simão, que decidiram abandonar a Selecção Nacional durante a caminhada, rumo ao Europeu de 2012, na Ucrânia e Polónia. Todos eles alegaram "motivos pessoais" na hora de dizer adeus. Para mim, não chega. Abdicar de jogar pela Selecção do nosso país é uma decisão que me custa a aceitar. Não entendo esta conversa das renúncias, nem nunca irei conseguir aceitá-la.
Jogar por Portugal deveria ser algo especial e deveria deixar qualquer jogador feliz, por representar o nosso país lá fora. Cada vez mais se verifica que, afinal, jogar pela Selecção pouco tem de especial para a maioria dos jogadores portugueses.
Pior ainda, é abdicar de jogar pela nossa selecção durante uma fase de qualificação, quando ainda se está a meio de uma fase arriscadíssima, como é a fase de qualificação. Qualquer erro, nesta altura, pode ser fatal para as aspirações da Selecção Portuguesa. E a atitude que estes 4 jogadores tiveram, nestes últimos meses, é a prova de que a maioria dos jogadores portugueses está-se nas tintas para aquilo que a nossa Selecção representa. Para os jogadores portugueses, a selecção é um palco para exibirem os seus dotes técnicos e arranjar mercado, e não para defender as cores de um país, que pouco ou nada lhes diz. E se esta mentalidade não mudar, nunca iremos ganhar nada. Vê-se bem, com a saída de Tiago, que, para eles, a nossa Selecção só serve para auto-promoção. Mais nada. Quando viu que estava a perder o lugar para Moutinho e Martins, Tiago, nem olhou para o facto de estar a meio de uma competição, e decidiu sair. Simão, quando viu que Nani lhe ia roubar o lugar, saiu. Miguel, depois de uma exibição desastrosa contra o Chipre, saiu. Paulo Ferreira, depois de várias exibições horríveis, também saiu.
Se já é vergonhoso abdicar de jogar pelo nosso país, pior é fazê-lo durante uma competição. Abandonar uma equipa, quando se vê que se vai perder o lugar, meus amigos, não é de profissional de futebol. E enquanto a nossa Selecção viver à custa destes meninos, que pensam primeiro nos seus interesses e, só depois nos da Selecção, nunca iremos ganhar uma competição internacional de Selecções. Sobre isso, não tenho a mínima dúvida.

Domingo, 16 de Janeiro de 2011

O fim de Bettencourt e companhia


Critico José Eduardo Bettencourt desde o momento em que foi eleito presidente do Sporting. Um presidente frágil, de ideias pouco convictas e, acima de tudo, uma pessoa demasiado conformada com a mediocridade. Os discursos de "2º lugar" são o espelho de alguém que se conformava com pouco e que revelava pouca ambição. E essa postura, num clube que se diz "grande", em nada favorece a postura da equipa leonina.
Parece-me que os jogadores e treinador do Sporting, ao longo deste ano, foram afectados pela falta de ambição do seu presidente. Nunca, em momento algum, vimos Bettencourt falar para o título. Ouvimo-lo várias vezes falar no Benfica e no segundo lugar, mas primeiro... nunca falou. Hoje, paga a factura da sua falta de ambição e de carácter. Escondeu-se sempre atrás de outros (Costinha, Pedro Barbosa, Salema Garção...) e nunca foi capaz de "dar o corpo às balas". A sua atitude, após o jogo de hoje frente ao Paços de Ferreira, não deixa de ser surpreendente. Confesso que ainda não consigo acreditar que Bettencourt conseguiu sair do Sporting antes de Costinha e Paulo Sérgio (também não deve faltar muito para seguirem o caminho do presidente).
A mentalidade das pessoas que gerem o Sporting tem de ser diferente. Como é que é possível que Paulo Sérgio, depois de ser dominado em casa pelo Paços, vir queixar-se de arbitragens. As arbitragens não justificam tudo. Era mais difícil, certamente, que Paulo Sérgio pudesse explicar por que motivo, ao longo de todo o jogo, o Paços de Ferreira não pareceu nunca inferior ao Sporting (e ele, sentado no banco, sem conseguir alterar o rumo dos acontecimentos). E esta situação, em pleno estádio de Alvalade, é extremamente grave. Exceptuando os pormenores técnicos de Valdés, as diferenças entre o Sporting e o Paços foram mínimas.
Não sei o que vai acontecer ao futuro do Sporting, mas é certo que Costinha e Paulo Sérgio não duram muitas mais semanas. José Couceiro, com novo presidente, também não. Portanto, resta esperar para ver o tipo de presidente que aí vem. Se as ambições forem as mesmas, mais vale admitir, de uma vez por todas, que os objectivos do Sporting não estão direccionados para o título de campeão nacional português. Pelo menos, por agora.

Sábado, 15 de Janeiro de 2011

Façam crescer o Brasileirão!


A chegada de Ronaldinho Gaúcho ao Flamengo veio confirmar aquilo que muitos já tinham previsto: o próximo campeonato brasileiro de futebol vai ter um leque de super-jogadores, como há muito não se via. Provavelmente, nunca o "Brasileirão" teve tantas estrelas brasileiras juntas no mesmo campeonato, como terá no ano de 2011. A juntar a Ronaldinho, temos nomes como Roberto Carlos, Ronaldo (o fenómeno), Neymar, Thiago Neves, D´Alessandro, Fred, Elano ou Deco. Uma pequena amostra daquilo que todos podem esperar no campeonato que aí vem.
Pessoalmente, estou longe de ser um fã do futebol brasileiro (de clubes, entenda-se). A minha opinião deve-se, em grande parte, aos moldes em que está organizado o campeonato. É uma pena que os brasileiros não aproveitem este recente "crescimento" do seu campeonato para o modernizarem. Está na altura de o campeonato brasileiro começar a adaptar o seu calendário ao Europeu.
Enquanto tal não acontecer, vão sempre existir desvantagens quando se fala na transferências de jogadores, de um continente para o outro: em Junho/Julho, saem grandes jogadores do campeonato brasileiro, a meio da prova, para o Europeu. E agora, em Dezembro/Janeiro, saem jogadores dos campeonatos europeus para o continente sul-americano da mesma forma.
Resultado: perdem as equipas, que se vêem obrigadas a negociar os seus jogadores no decorrer do campeonato, perdem os jogadores, que deixam de ter férias e são "obrigados" a jogar imediatamente (lembre-se o caso de Ramires, no ano passado, que não teve um único dia de descanso) e perdem os campeonatos, principalmente o Brasileiro, que vêem sair alguns dos seus melhores jogadores na reabertura do mercado de transferências europeu.

Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

Contador: Carlos Azenha (chegámos aos 20 golos sofridos em 6 jogos)

Continuando o dado estatístico iniciado num post anterior, vamos então aos números do actual treinador do Portimonense: 6 jogos como treinador principal, 5 derrotas, 1 empate, 1 golo marcado, 20 sofridos (sim, escrevi bem. Não é uma piada). Pior: em todos os jogos, sem excepção, as suas equipas jogaram pessimamente. Hoje, frente ao Braga, até podia ter levado mais de 3 golos.

Com isto dito, mantenho a minha posição: como é que um treinador destes ainda está na primeira liga, quando nunca provou absolutamente nada para ser treinador principal. Nada tenho contra ele, mas desde o primeiro momento em que apareceu, que deu para perceber que pouco percebia de futebol. A inovação dos 50 jogadores à experiência, durante a pré-época, quando ainda treinava o Vitória de Setúbal, foi, talvez, uma das maiores provas de incompetência do treinador português.
O que terá motivado Fernando Rocha, presidente do Portimonense, a arriscar a contratação deste treinador? Conseguiu trocar um treinador mau por um, ainda pior. Agora, relativamente à permanência, já há pouca coisa para remediar.

Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

Boa política do SCP


Não sei até que ponto será verdade, mas parece-me que finalmente o Sporting está a seguir o caminho correcto. Não tendo os recursos de Porto e Benfica, faz bem em estar atento aos bons jogadores do nosso campeonato, que agora acabam contrato ou têm um valor de mercado acessível.
Se avançar para a contratação do extremo Paulo Sérgio, o Sporting pode ter já a certeza que ficará bem servido. Parece-me um jogador muito interessante, que amadureceu imenso nos últimos anos. Se Porto ou Benfica não interferirem, Paulo Sérgio, o treinador, pode ter encontrado um bom reforço de Inverno para a sua equipa.
O actual director do futebol, José Couceiro, nunca foi um grande treinador. Mas enquanto esteve no Alverca, como dirigente, fez um excelente trabalho. E acredite-se que ele vai ter grande influência no futebol do Sporting actual. Resta continua a procurar por bons jogadores. Em Portugal, há vários. Olhe-se para a equipa do Sporting e veja-se que, grande parte do onze titular, é composto por jogadores contratados a outras equipas portuguesas.
Enquanto isso, o Benfica foi também buscar, ao Olhanense, o central Jardel. Bom jogador, diga-se. Mas há muito bom material pela Primeira e Segunda Liga Portuguesa. Basta procurar. Havia Carlão e Matheus, ainda por cá andam o Candeias, Bruno Gama, Rúben Brígido, Bruno Teles, Toscano, João Ribeiro, Felipe Lopes, Lima, Salino, Sílvio, Sougou, Nuno Coelho, Marinho, Tchô, Kléber, Djalma, Babá, Alonso, David Simão, Nelson Oliveira, Maykon, Celestino, Vítor Gomes ou Regula. A lista podia continuar...
O importante é alertar para a qualidade do nosso campeonato. Há muito tempo que não havia tão bons jogadores por cá, em grande quantidade. A crise fez bem ao futebol português. Passou-se a gastar menos e apostar mais em jogadores jovens, de enorme potencial. O resultado começa a estar à vista.

Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Se Messi ganha com este critério...

... para o ano, já temos vencedor:


Se formos analisar quem tem mais talento, a Bola de Ouro teria de ser dividida por Messi e Ronaldo. Como já se percebeu, a FIFA ignorou, por completo, os títulos conquistados pelos jogadores, esta temporada. E já que era assim, o critério deveria ser igual para todos. Se os títulos não contam para nada, Ronaldo também deveria estar nos finalistas, ao lado de Messi e Xavi. Se os títulos contassem, Sneijder deveria estar lá.
Tal como António Tadeia, também eu achei que Xavi deveria ter levado o prémio para casa. Foi, de longe, o jogador em melhor forma durante o ano inteiro, jogando quase todos os jogos, sem nunca ter uma quebra de forma (ao contrário de Messi ou Iniesta). É injusta a forma como se desvaloriza o trabalho de um jogador desta forma. Está visto que os critérios não são iguais para todos. Com base nestas votações, um trinco, por exemplo, nunca poderá ganhar o prémio porque não tem o mesmo destaque de um avançado ou de um extremo.
E ninguém me tira da cabeça que Xavi não venceu este ano porque não tem o carisma e o mediatismo de Messi. E é isso que interessa à FIFA. Daí que se perceba a ausência de Sneijder ou de Milito entre os finalistas.

PS: Experimentem ver um jogo do Barcelona, este ano, sem Xavi. Depois outro sem Messi. Vejam as diferenças e depois comentem.

PS 2: Felizmente, Mourinho ganhou. Justo prémio para o melhor da história. E é na sua atitude que se vê a diferença em relação a todos aqueles que querem ser como ele: Humilde na hora de receber o prémio, abrançando os seus jogadores, como que a dizer que é graças a eles que ali está. Fenomenal. E português. Que se dê valor a isso.

"El Toto", a peça que faltava


Sobre a qualidade de Saviola, pouco ou nada há a acrescentar àquilo que a generalidade da comunicação social afirma. É um jogador de eleição e, jogos destes, não surpreendem ninguém. No entanto, o grande destaque deste Benfica é Eduardo Salvio. O verdadeiro "reforço" de Inverno está no próprio plantel do Benfica. Salvio, graças ao seu tremendo poder de arranque, tem conseguido implementar uma enorme força ofensiva na equipa do Benfica, apenas vista nos tempos em que ainda havia Di María, no lado esquerdo do ataque. Desde os tempos de Karel Poborsky, que o Benfica não tinha um extremo-direito com tanta qualidade como a de Salvio e não seria nada má ideia que os responsáveis do Benfica pagassem já os 8 milhões pelo jogador e ficassem com o seu passe a título definitivo.

PS: É injusto associar este bom momento de forma do Benfica apenas aos jogadores sul-americanos da frente de ataque, sem falar em David Luiz e Luisão, principalmente este último. A segurança que ambos oferecem à equipa e as "dobras" que por vezes fazem a Javi García, no meio-campo, têm de estar directamente ligados com a grande consistência que este Benfica tem tido nos últimos tempos.

PS 2: No final de Setembro, do ano passado, chamei a atenção para o miúdo Salomão. Havia ali talento. Hoje, não tenho dúvidas em afirmar que o Sporting tem ali um jogador de qualidade. Está a despontar um pouco tarde, daí ter as minhas reservas sobre se algum dia poderá chegar a um gigante europeu. Mas que vai singrar em Portugal, disso não tenho a mínima dúvida.

PS 3: Hoje, Cristiano Ronaldo demonstrou, mais uma vez, que é o jogador mais talentoso do Mundo, a par de Messi, claro está. No entanto, amanhã, o prémio tem de ir, obrigatoriamente, para aquele que é o "motor" das duas melhores equipas do Mundo (Barcelona e Espanha): Xavi. Messi falhou no campeonato do Mundo e Iniesta, pelas muitas lesões que teve, nem deveria estar entre os 3 finalistas.

Sábado, 8 de Janeiro de 2011

E já começou a festa...


Começa "bem" a aventura de Carlos Azenha à frente do Portimonense. Em jogo de estreia consegue perder em casa com um rival directo, na luta pela manutenção, e sofrer 4 golos de uma equipa, que até ontem, tinha um dos piores ataques do campeonato. Não questiono a ambição e as tentativas de inovação de Carlos Azenha, mas está mais do que visto que ele não sabe organizar uma equipa, principalmente na zona mais recuada do terreno e nas bolas paradas.
Por outro lado, vê-se, neste tipo de jogos, quem realmente tem aquilo que é necessário para treinar uma boa equipa na primeira divisão. Manuel Fernandes tem feito um trabalho notável à frente da equipa do Vitória de Setúbal. Com pouquíssimos recursos, construiu uma equipa capaz de fazer um campeonato tranquilo e transmitir muita confiança aos adeptos vitorianos. Não é de confiança e tranquilidade que, por exemplo, o Sporting está a precisar? Com uma solução tão viável à frente dos seus olhos, por que motivo José Eduardo Bettencourt continua a manter a confiança num treinador que, pelo que se já percebeu, não sabe trabalhar num clube de maior dimensão.

PS: Um dado estatístico interessante: Em 5 jogos de treinador principal, Carlos Azenha soma 4 derrotas e 1 empate, com o registo de 17 (!) golos sofridos nesses 5 jogos. Impressionante!