Estou de volta ao blogue, desta vez para ficar. Espero que o novo template também seja do vosso agrado. Desde o tempo em que estive ausente foram vários os assuntos que marcaram a actualidade, mas que mais tarde saíram de moda.
No entanto, há um tema que continua a manter-se na ordem do dia: a crise no Sporting Clube de Portugal. Não só desportiva, mas também directiva. Neste momento, em tempos de eleições, o Sporting vive uma das maiores crises de que há memória. Há muito tempo que uma campanha eleitoral não tinha tanto impacto num clube de futebol como estas eleições estão a ter no Sporting. E percebe-se porquê. Mais do que treinadores ou jogadores, nestas eleições está em jogo o futuro de um clube. A capacidade de se conseguir fazer reerguer uma equipa e levá-la, de novo, ao topo. É o tudo ou nada para o Sporting. Chegou a altura de demonstrar se tem, ou não, capacidade para investir e lutar, ombro a ombro, com Benfica e Porto. Por isso mesmo, convém olhar para os homens que se candidataram a conduzir o Sporting neste futuro tão complicado, como serão os próximos anos:
Godinho Lopes: Acusado de ser o candidato da "banca" e da "continuidade", Godinho Lopes tem duas armas muito fortes para convencer os sportinguistas: Luís Duque e Carlos Freitas. Chegará? Na minha opinião, não. Carlos Freitas, de facto, é um excelente gestor, mas Luís Duque não é homem de inspirar grande confiança. Não me parece que o Sporting ganhe alguma coisa em ir buscar a "velha guarda" para salvar uma situação complicada, com antecedentes do passado. Luís Duque não me parece ser um homem de ideias modernas e Carlos Freitas, como excelente gestor que é, poderá incorrer no erro que foi cometido no passado: olhar demasiado para as finanças e pouco para a gestão desportiva. É um homem de poucos riscos e esta fase do Sporting não pode ser guiada por pessoas com este tipo de ideais.. Já Godinho Lopes não me parece ser uma pessoa muito segura de si mesmo e isso transparece nos debates e na forma como se expressa. Parece-me que quando se candidatou, não esperava que houvesse um candidato à sua altura. E agora, está aflito. Tem dificuldades de argumentação com os outros candidatos e parece pouco à vontade para responder às questões mais complicadas relacionadas com o futuro desportivo do Sporting. Embora tente negar, nota-se que as suas bases não são muito diferentes das de José Eduardo Bettencourt. Godinho Lopes não tem um projecto inovador e faltam-lhe ideias. Já se falou em Frank de Boer e agora Scolari para treinadores da sua lista, e isso diz tudo. Neste momento, não é o melhor candidato para o Sporting.
Pedro Baltazar: Um candidato que não tem a mínima hipótese de vencer. Enterrou-se no debate quando colocou em causa o futuro do futsal do Sporting e a apresentação de um treinador sem grandes qualidades (Zico), não lhe dá grande margem de manobra. Se não se juntar a um candidato mais forte, possivelmente será o menos votado nestas eleições, uma vez que Zeferino Boal já abdicou.
Abrantes Mendes: Sem querer ferir nenhuma susceptibilidade política, gostaria de fazer uma pequena analogia entre este candidato e os partidos com menos expressão em Portugal. Abrantes Mendes, nestas eleições, faz-me lembrar um BE, PCP ou CDS. Sabe que não vai vencer, mas critica tudo o que mexe, colocando sempre o "dedo na ferida". Está a portar-se dignamente nestas eleições e só por isso, já merece o respeito de todos os sportinguistas.
Bruno de Carvalho: Confiante. Talvez, demasiado confiante. Mas, numa altura destas, os sportinguistas querem é alguém assim. Esse motivo explica bem o crescimento deste senhor, nestas eleições. No início, era mais um outsider. Depois da sua postura confiante, e até um pouco arrogante, no debate, convenceu muitos sportinguistas. Tem uma excelente capacidade comunicativa e é, neste momento, o candidato mais forte destas eleições. Parece-me que, até agora, apenas cometeu um erro grave: escolher Augusto Inácio como o seu braço-direito. Não me parece uma escolha acertada. Ainda assim, parece-me que a maioria dos sportinguistas está com ele. Não sei até que ponto será bom, ou não, para o Sporting. Este fundo com os russos não me parece ser de confiança. Parece-me claro que este candidato quer fazer uma "ruptura" total com o passado. O problema é tentar comprovar se essa "ruptura" vai melhorar ou pior, ainda mais, a condição financeira e desportiva do Sporting. Os sportinguistas estão sedentos de vitórias e conquistas e, nesta altura, aceitam tudo o que lhes pareça novo e entre em rota de colisão com a situação actual. Mas têm de tentar perceber o que vai mudar, para melhor, o estado actual do Sporting. Não me parece que Bruno de Carvalho, apesar da enorme confiança, tenha ideias muito definidas sobre aquilo quer para o Sporting. Parece-me que fala demasiado em "inovação" e "mudança", sem ter conhecimento de causa sobre o estado actual das coisas no Sporting.
Dias Ferreira: Digo já, sem hesitar: este é o melhor candidato para o Sporting. As sondagens só não lhe dão mais, porque ainda existem demasiados sportinguistas que o identificam com a situação do passado. Parece-me ridículo. Dias Ferreira é, neste momento, o único com uma lista forte e totalmente competente. Conseguiu arranjar um director-desportivo de enorme qualidade e com uma influência tremenda no actual mundo futebolístico. A prova disso, é já ter assegurado Frank Rijkaard, um antigo campeão europeu, para a próxima temporada. Um bom treinador, esse sim, capaz de fazer uma ruptura com o passado do Sporting. Parece-me que a dupla Dias Ferreira-Paulo Futre tem tudo para funcionar bem. Dias Ferreira é um homem competente, que sabe do que fala. Paulo Futre é um homem com grandes conhecimentos do futebol actual e o único capaz de conseguir reforçar o Sporting com jogadores de qualidade. Relembro o caso de Rui Costa no Benfica. Não é preciso recuar mais. Com a chegada de Rui Costa ao Benfica, chegaram Aimar, Suazo, Reyes ou Saviola. Noutros tempos, era impensável ter jogadores destes no nosso campeonato. E só chegaram graças à influência de Rui Costa. Paulo Futre, tem tanta influência como Rui Costa. Aliás, arrisco-me a dizer que mais nenhum presidente seria capaz de, nesta altura, estabelecer um pré-acordo com um treinador da qualidade de Frank Rijkaard. Para além do treinador, Dias Ferreira não tem medo de dizer o que quer. Falar num plantel de aproximadamente 20 jogadores, mais 5 da formação, é palavra de quem percebe de futebol. Qualquer presidente que chegue ao Sporting, nesta altura, tem de olhar para a formação e compreender as virtudes que o clube tem para oferecer. Se apostar em 20 jogadores de grande qualidade, basta apenas completar o plantel com jogadores oriundos da formação, que tenham um futuro promissor. A lista encabeçada por Dias Ferreira é, neste momento, a mais indicada para o futuro do Sporting CP. Um homem que conhece bem o clube e que vai fazer a tal "ruptura" com o passado , mas de uma forma calculada e bem pensada.