Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Sobre Roberto

Ponto prévio: O FC Porto é campeão nacional com toda a justiça. Provou-se, pela segunda vez esta temporada, que o esquema de jogo do Benfica não é compatível com o do Porto. Jogar apenas com Javi García a segurar o meio-campo é um completo suicídio. Jesus cometeu o mesmo erro no jogo dos 5-0 e perdeu. Na Taça compensou com César Peixoto e resultou. No Domingo, voltou a cometer o mesmo erro e perdeu. Ao intervalo, tentou emendar o erro com a entrada de Peixoto, mas o erro já não poderia ser corrigido. O Porto tem, nesta altura, uma equipa fortíssima, provavelmente, uma das mais fortes da Europa.

No Benfica, pelo contrário, os problemas voltaram em força. Numa fase importantíssima da temporada, as segundas linhas provaram, mais uma vez, que não tem o mínimo de qualidade para representar o clube, e o posto de Roberto volta a ser posto em causa. Nesta altura, é fácil criticar Roberto. É fácil dizer que Roberto está ligado ao insucesso do Benfica nesta temporada. Será verdade? Parece-me claro que sim. Roberto comprometeu muito esta temporada. Mas também conseguiu salvar o Benfica em determinados momentos. Parece-me óbvio que o Benfica deste ano não é tão competente como o do ano passado. Houve falta de entrosamento entre TODOS os jogadores e Roberto, como novo elemento da equipa, também passou por essa fase. Sofreu na pele as responsabilidades de defender a baliza de um grande, no início da temporada, mas manteve-se firme. E, apesar de tudo o que já tenho dito sobre ele, foi aí que ele se revelou: foi preciso uma enorme força psicológica para se reerguer. Seriam poucos aqueles que conseguiriam voltar a ter confiança para defender a baliza do Benfica num curto espaço de tempo. Roberto teve essa força e reergueu-se. Aguentou-se bem, defendeu bem, esteve ligado ao suposto "Benfica com melhor futebol da temporada" e foi o principal responsável pelo apuramento do Benfica, na Liga Europa, frente ao PSG.
No entanto, nos últimos dois jogos, Roberto voltou a errar. Erros infantis, claramente. Mas que podem ser corrigidos. Convém relembrar que este guarda-redes tem apenas 24 anos de idade e está a cumprir, este ano, a sua primeira temporada completa como guarda-redes titular profissional. É inexperiente. Necessita de melhorar. Aqui, os responsáveis do Benfica erraram. Creio que a saída de Quim foi precipitada. O Benfica ao contratar Roberto, deveria ter deixado a baliza para Quim, mais uma temporada. E Roberto seria um guarda-redes para se ir integrando nos processos da equipa. Não teve um período de adaptação e sofreu com isso.
Já ouvi na televisão todo o tipo de barbaridades em relação à falta de qualidade de Roberto. Tenho tendência para discordar de tudo o que oiço. Porque, no meu entender, Roberto é um excelente guarda-redes, com capacidade para ser dos melhores do mundo. A defesa que ele consegue fazer no jogo contra o FC Porto (minuto 4.40 http://www.youtube.com/watch?v=TpxMvQvb_Vs) não está ao alcance de qualquer guarda-redes. Arrisco-me a dizer que não mais de 5 guarda-redes, no mundo inteiro, seriam capazes de defender aquela bola. Roberto conseguiu-o.
Agora é tudo uma questão de melhorar. Se acho que ele ainda vai errar? Parece-me óbvio que sim. Todos erram. Todos melhoram com os erros. Roberto precisa de treinar, e muito, as saídas da baliza e algum posicionamento em determinados lances de futebol corrido. De resto, a qualidade está lá. Foi pena ter chegado da forma que chegou. Porque se as circunstâncias fossem outras e se Roberto tivesse passado por um período de adaptação, hoje, o Benfica tinha um guarda-redes mais acarinhado por toda a massa associativa.

Domingo, 3 de Abril de 2011

O clássico de hoje


Mais do que uma simples rivalidade entre Benfica e Porto, o jogo de hoje, como sabem, pode finalmente garantir, matematicamente, à equipa dos dragões o primeiro lugar deste campeonato. Hoje, o Benfica de Jesus tem a missão de tentar impedir que tal aconteça, pelo menos para já. Jesus sabe que neste jogo tem pouco a ganhar, mas muito a perder. Ver o maior rival a festejar o título de campeão nacional no seu estádio é humilhante e péssimo para a condição psicológica de qualquer jogador. Não há volta a dar. Por mais que se diga que este é apenas "mais um jogo", todos sabem que efectivamente ele não o é. André Villas Boas e os seus jogadores estão desejosos de fazer a festa e os jogadores do Benfica e Jesus devem, nesta altura, estar a viver momentos de alguma tensão e ansiedade em relação ao jogo.
Jorge Jesus, apesar de nada ter a ganhar com o jogo, sabe que este jogo é importante para não condicionar a moral dos seus jogadores para os jogos que aí vêm. Quinta-Feira que vem há, de facto, um jogo importantíssimo para o Benfica e aí, os jogadores têm de estar a 100%. Ora, agora cabe a Jesus pensar no que será melhor para o Benfica. Poupar jogadores hoje para que possam estar na máxima força para o jogo da Liga Europa ou arriscar tudo hoje, por uma questão de honra. No lugar de Jesus, confesso, não sei o que faria. Se o Benfica está nesta situação é, de certa forma, graças a ele, pelas poupanças excessivas no jogo com o Portimonense, indiscutivelmente, a equipa mais fraca deste campeonato. Agora, Jesus que tome a decisão. Que arrisque. Que faça o que achar melhor. No campeonato já ninguém lhe tira o 2º lugar. Na Liga Europa, Taça de Liga e Taça de Portugal ainda há jogos para disputar. E o Benfica, sabendo gerir os jogos que faltam do campeonato, tem plantel com qualidade suficiente para gerir as competições que faltam.
O Porto, por sua vez, vive em iguais circunstâncias, é importante não esquecer. O 1º lugar também já ninguém lhes tira e pode gerir o plantel da forma que entender no campeonato para investir tudo na Liga Europa e o jogo da 2ª mão da taça contra o rival, Benfica.
No jogo de hoje, apenas está em cima da mesa a honra do Benfica. O campeonato está entregue, seja agora ou mais tarde, mas as restantes competições não. E tanto Benfica, como o Porto, têm de perceber que Quinta-Feira, os jogos são muito mais importantes.