Sábado, 25 de Junho de 2011

Reportagem: "Este Bairro não é para Novos" - Os Jovens da Horta Nova

A reportagem que se segue foi escrita para a cadeira de Ateliê de Imprensa I, leccionada pelo professor Paulo Moura. Espero que o texto vos dê tanto gozo a ler como me deu a mim a escrever. Um bairro por muitos considerado como problemático, mas cheio de casos de sucesso e de jovens com vontade de trabalhar e viver.

Os jovens da Horta Nova

“Este Bairro não é para Novos”

Quando chegamos, dois polícias saíram da esquadra do Bairro e dirigiram-se a nós, sinal claro da estranheza que causa qualquer “estrangeiro” que por aqui passa. Não é fácil ser polícia nesta esquadra, confessa um, enquanto relembrava os eventos que marcaram o dia 30 de Novembro de 2007, quando um jovem morador de 22 anos se barricou na casa de uma vizinha com uma arma de fogo e um pitbull para fugir a um mandato de detenção. “Três colegas meus foram agredidos por alguns moradores, que viam o meliante como um herói local”. Em duas pinceladas, fica a ideia de um bairro social como tantos outros, cuja origem a história vem explicar.

Ainda antes de Abril acenar com a liberdade, começava em Lisboa um movimento de requalificação da paisagem urbana, numa tentativa de pôr fim ao crescente número de “bairros de barracas” que cercavam o centro urbano. Em 1974, dealbada a revolução, nasceu o Bairro da Horta Nova. Este Bairro, com quase 2 mil habitantes, localizado na freguesia de Carnide, é, nos dias de hoje, um problema de difícil resolução para a Câmara Municipal de Lisboa.

Os moradores queixam-se das condições de habitabilidade que entendem ser maioritariamente precárias e culpam o Estado pela falta de apoios às famílias com menores possibilidades de subsistência e com uma fraca qualidade de vida. Frequentemente associado a casos de criminalidade e de desacatos sociais, a “Horta Nova” está longe de ser um local propício para o crescimento sustentado dos jovens que por lá habitam. A taxa de abandono escolar é crescente e a maioria dos jovens derivam para o caminho da delinquência. Este retrato, aparentemente tão negro, é, no entanto, contrariado por exemplos de determinação e solidariedade.

Mais do que um bairro, somos uma família. Estamos juntos para o bem e para o mal. É assim que Tiago Filipe Direitinho descreve a Horta Nova, o bairro que o viu o nascer e que o fez crescer para a vida.


Diz-se que um simples olhar pode valer mais do que palavras. O caso de Tiago é exemplo disso mesmo. A simpatia com que me recebeu não foi capaz de disfarçar a insegurança do seu olhar. Uma expressão que, em tempos, ilustrava alegria, paixão pelo futebol e a felicidade por jogar ao mais alto nível, ao lado de jogadores que foram, em tempos, os seus ídolos de infância. Hoje, reflecte uma vida de dificuldades, mas também de luta e esperança na procura por uma nova oportunidade. Que, no fundo, é tudo aquilo que Tiago quer. Com 20 anos de idade, Tiago abre-nos a porta do “seu” bairro e apresenta-nos a sua história. Que não é de sucesso, mas também está longe de ser de insucesso. Apenas uma história, longe do final, que aguarda por novos capítulos.

A chegada ao bairro da Horta Nova deu-se sem problemas. O relógio marcava as 8 da manhã, de um dia de Inverno algo enevoado, que ainda esperava pelas primeiras gotas de chuva das carregadas nuvens cinzentas que pairavam sobre os prédios do bairro. Os gradeamentos que protegiam as lojas do piso térreo denunciavam o temor dos que aqui trabalham. Alguns carrinhos de supermercado jaziam, semidestruídos, por baixo das arcadas. Quando chegámos ao café “Forno da Horta”, já o Bairro dava os primeiros sinais de vida.

(café “Forno da Horta”)

À porta do café, curiosamente acolhedor, encontrámos o nosso interlocutor. Já sentados numa das poucas mesas do café, Tiago pousa os braços em cima da mesa e abre o coração para expor um pouco da sua história. De voz baixa, mas perceptível, Tiago aparenta ter um ar relaxado e descontraído na hora da entrevista. Com uma capacidade comunicativa agradável, não consegue disfarçar, ao longo de toda a entrevista, a paixão que tem pelo “seu” bairro: “Gosto do meu bairro, não o trocaria por nada visto que tenho aqui os meus amigos, a minha família e um campo de futebol à porta de casa. Foi graças a ele que aprendi tudo aquilo que sei hoje. Devo-lhe tudo”. O apego que Tiago nutre pelo futebol é indisfarçável. Todas as conversas acabavam por dar, de uma forma ou de outra, ao desporto. A paixão que Tiago tem e o sonho que deixou fugir por entre as mãos: “Desde muito pequeno que jogo à bola. Logo aos 5 anos inscrevi-me na Juventude da Horta Nova, o clube desportivo aqui do bairro. Depois passei por uma série de clubes até que, aos 14 anos, recebi o convite para ir para o Estrela da Amadora (na altura estava na primeira divisão de futebol de onze). Foi uma oportunidade única!

A qualidade que Tiago tinha para o futebol é confirmada pelos seus colegas de bairro. Jorge Sousa, 24 anos, não tem dúvidas de que o seu amigo, na altura, tinha todas as condições para ser um grande jogador em Portugal: “Ele tinha um talento invulgar. Vi muito poucos com a técnica dele. Foi pena não ter dado certo”. A história de aparente sucesso de Tiago muda de figura, quando, aos 16 anos de idade, recebe uma proposta, aparentemente irrecusável: um convite para jogar no Sporting Clube de Portugal. Tiago, ainda hoje, não consegue explicar o porquê de ter rejeitado a proposta: “Na altura, o treinador de um amigo meu, ligado ao Sporting, veio ter comigo e perguntou-me se eu queria ir para o Sporting. Fiquei entusiasmado com a proposta, mas tive o azar de contrair uma lesão grave, que me obrigou a rejeitar a proposta. Não tinha condições para ir”. A difícil decisão de rejeitar um clube como o Sporting acabou por marcar a vida de Tiago Direitinho: “Depois disso, terminei a minha carreira como futebolista. Não queria falar muito sobre isso. Mas deixei fugir a oportunidade”. Enquanto Tiago se debruça para beber mais uma chávena do café, é notório o seu desconforto em abordar este assunto. Sem querer adiantar muito, não esconde alguma mágoa por não ter aceite o convite para ir para o Sporting. A lesão acabou por surgir numa má altura, mas Tiago guarda alguma revolta por ninguém no Sporting lhe ter estendido a mão quando precisava e por se terem recusado a ajudar alguém “vindo de um bairro problemático, que podia não justificar a oportunidade que lhe estavam a dar”. Apesar do infortúnio, algo inesperado, que surgiu na altura, Tiago não esquece quem o fez acreditar nas suas capacidades e o ajudou a evoluir como jogador profissional: “Se não fosse a Juventude da Horta Nova, não teria tido todas essas oportunidades. Falhei por causa de um azar, mas foi graças a ele que cheguei tão longe. As pessoas pensam que a Horta Nova é um caso perdido, mas não é verdade. Somos um bairro que “lança” muitas pessoas, principalmente no desporto. Por exemplo, há uns anos saiu de cá o Kenedy. Jogou no Benfica e no Porto e chegou a ir ao Mundial (Mundial de Futebol de 2002 na Coreia do Sul e Japão). Mas como ele há vários”.

(Campo de Futebol da Horta Nova)

E no Desporto, são vários os jovens que continuam a despontar para fazer carreira a nível profissional. A Juventude da Horta Nova continua a ser um meio de afirmação de vários jovens, que procuram encontrar um novo rumo para as suas vidas. Muitos jovens do bairro da Horta Nova abandonam os estudos e procuram outras formas de ganhar a vida. O Desporto, mais concretamente o futebol, acaba por ser uma delas.

Fábio Fortes é o mais recente caso de sucesso do bairro da Horta Nova. Com apenas 19 anos de idade, o jovem futebolista apareceu nas bocas do país, depois de assinar um contrato profissional com o Vitória de Guimarães, no dia 10 de Junho de 2011, através da agência do mais bem cotado empresário do mundo, Jorge Mendes.

Com uma forte ligação afectiva ao bairro que o viu nascer, Fábio não consegue esconder o misto de sentimentos que viveu na altura de tomar a decisão: “Agrada-me muito a possibilidade de jogar num clube como o Guimarães, mas o facto de sair do bairro é um bocado difícil. Tenho muito orgulho e gosto por morar aqui no “meu” bairro. Nunca o escondi, nem o vou fazer já que uma pessoa nunca deve esconder de onde são as suas raízes e onde vive ou viveu”. Na hora da despedida, Fábio revela toda a sua humildade em reconhecer a importância do bairro no seu crescimento enquanto pessoa e jogador de futebol e faz questão de valorizar o “espaço” que o fez progredir para esta carreira como futebolista profissional: “A Juventude deu-me uma oportunidade, aos 5 anos, de iniciar algo que agora me permite ser feliz que e começar a jogar futebol. Com mais condições iria ser capaz de formar muito bons jogadores, já que aqui no meu bairro há jogadores com qualidade, mas nos sítios errados”.


Sobre o bairro em concreto reconhece que continua a existir o problema de haver “muitos jovens a seguir o caminho que não devem”, mas não tem dúvidas em afirmar que sempre residiu “num dos melhores bairros cá em Portugal, que tem muitas pessoas com qualidade e trabalhadoras”. Para o seu futuro, Fábio admite que vai ser difícil continuar a estudar, uma vez que está “muito concentrado no futebol”, mas não exclui a possibilidade de completar os estudos um dia mais tarde.

Sérgio Baía, 25 anos, optou pela mesma via do que Fábio. O futebol fez com que abdicasse muito cedo dos estudos e arriscasse por uma carreira profissional.

Alguns anos depois, Sérgio entende que essa era a única alternativa que tinha, na altura: “Fiquei com o 9º ano. Depois era difícil estudar e jogar ao mesmo tempo. Nos primeiros tempos treinava de manhã e estudava à noite. Mas depois tive de abandonar os estudos quando saí de Portugal para jogar no estrangeiro”. Sérgio que, como grande parte dos jovens do bairro, iniciou a sua carreira na Juventude da Horta Nova, teve um percurso que se augurava ser auspicioso: “Comecei muito cedo como guarda-redes. Jogava cá no bairro e depois recebi dois convites: do Benfica e do Sporting. Escolhi o Sporting, mas não correu bem. Mandaram-me logo embora”. A saída do clube, de forma tão repentina, tem uma explicação clara, no entender de Sérgio: “Saí porque era de um bairro social, não tenho dúvidas. Quando lá estava os outros jogadores eram favorecidos porque ofereciam coisas ao treinador em troca de um lugar na equipa. E depois ficaram com o meu lugar”.

No entanto, Sérgio depois da experiência menos positiva no Sporting, não abdicou do futebol. Depois de passar pelo já extinto Alverca, onde saiu depois de o clube abrir falência, seguiu para o mais modesto Odivelas, onde jogou até receber uma proposta inesperada: “Estava no Odivelas e um empresário (Sérgio Leite) veio ter comigo no final de um treino e perguntou-me se queria ir jogar para o Chipre. Vi logo que ia ganhar imenso dinheiro”.

Apesar de ter hesitado na hora de aceitar o convite, já que sabia que iria ter de abdicar do bairro onde nasceu e de todas as pessoas com quem partilha o seu dia-a-dia, Sérgio decidiu ir para o Chipre. A adaptação aos costumes do país foi um processo demorado, mas que, segundo Sérgio, “até nem correu mal porque tinha alguns conhecimentos de inglês”. As perspectivas animadoras que encontrou na sua chegada ao Chipre acabaram por não se manter e, pela terceira vez na sua carreira, o azar voltou a bater-lhe à porta: “Fiquei lá um ano e não me pagaram metade dos ordenados. Tive a oportunidade de continuar no Chipre, com convites de outros clubes, mas não quis arriscar de novo. Fiz as malas e voltei para Lisboa”, conta visivelmente incomodado com a situação que acabou por encerrar de vez a sua carreira no mundo do futebol. A vida de Sérgio, quando chegou a Portugal, acabou por se inverter. Apesar de ter recebido algumas propostas para continuar a jogar futebol, Sérgio optou por não continuar a sua carreira no Desporto: “Actualmente trabalho numa empresa de transportação de mercadorias. O resto do meu tempo é passado aqui no bairro com amigos”.

Tal como Sérgio e Fábio, também Tiago Direitinho ocupa grande parte do seu tempo livre no bairro da Horta Nova. Depois de se ter retirado como jogador de futebol, a vida agora é passada em trabalho e, sempre que tem oportunidade, em convívio com os amigos a jogar às cartas pela noite dentro. Enquanto leva nova chávena de café à boca, Tiago lembra que agora está mais sujeito a ver situações de mais desacatos e confusões no bairro, uma vez que a maior parte do tempo que passa no bairro é durante a noite, na altura em que se podem suceder os casos de criminalidade ou delinquência. Na memória de Tiago, enquanto fala deste tema mais problemático, está um caso recente, noticiado pela comunicação social portuguesa, acerca do Bairro da Horta Nova: “No Benfica-Porto, este ano, houve alguns desacatos entre a claque do Porto e os habitantes do nosso bairro. Isto teve nos jornais todos. Depois chegou a polícia e soube que foram recebidos com pedradas”.

Apesar de ter um grande carinho pelo bairro, Tiago reconhece que todas estas situações não são benéficas para o seu desenvolvimento. A falta de apoio do Estado aos habitantes da Horta Nova, segundo Tiago, não favorece o seu crescimento e o desinteresse dos mais jovens pelos estudos é um caso cada vez mais comum no bairro. Tiago Direitinho não considera que deva ser incluído neste grupo, porque sempre teve motivação para ir à escola e estudar: “Fiquei com 12º ano incompleto, faltou-me uma disciplina (Inglês). Depois comecei a trabalhar e pensava que conseguia conciliar as duas coisas. Mas tinha de ajudar os meus pais com as despesas e não queria que nada faltasse aos meus irmãos”. Apesar de não ter completado o ensino secundário, Tiago afirma que ainda pensa voltar a estudar, agora que passou dois anos a trabalhar. No horizonte de Tiago está, para além da conclusão do 12º ano, a licenciatura em Desporto, algo com que sonha desde criança. Para isso, garante, tem o apoio incondicional dos seus pais.Os casos de sucesso, no bairro da Horta Nova, não se constroem apenas com base no Desporto. Apesar de haver um elevada taxa de abandono escolar no bairro, ainda há vários casos de jovens que investem nos estudos e têm acompanhamento familiar para o fazer. Joana Ferreira Castanheira é um exemplo desses casos. Com 19 anos de idade, e sem chumbar um ano no ensino secundário, a jovem entrou no curso de enfermagem com uma média de 15 valores.

No entanto, reconhece que o apoio dos pais no seu sucesso escolar foi muito importante: “Ajudaram-me sempre que eu precisei. No 12ºano, tinha dificuldades a matemática e pagaram-me explicações para conseguir subir a média. E valeu a pena”. O apoio dos pais nos estudos foi fundamental para Joana, mas também para a sua irmã, Rita, que completou recentemente o curso em Medicina Veterinária, na Faculdade Técnica de Lisboa. Ambas prosseguem os estudos nas áreas que sempre sonharam e Joana garante o facto de viver num bairro social nunca prejudicou o seu trabalho escolar, até porque nunca arranjou muitos amigos com quem se identificasse na Horta Nova: “Tenho apenas alguns bons amigos. Nada mais. Não tenho grande interesse sobre o bairro, até porque, quando tirar o curso, pretendo sair daqui”. A indiferença com que Joana olha para o bairro que a viu nascer denota a pouca influência que ele teve na construção do seu futuro escolar. Apesar de já ter visto vários casos relacionados com drogas ou violência doméstica no interior do bairro, Joana sempre se tentou abstrair do que a rodeava e ignorar o que se ia passando: “Nem sequer ia ver o que se passava ou quem estava envolvido. Não ligava ao que se passava, simplesmente. Eu não olhava para o bairro como um exemplo. Preferia olhar para os meus pais que estudaram e trabalharam para ter uma vida boa. Eles sim foram a única coisa na Horta Nova que me influenciou a sério”. No entanto, apesar de o bairro não ter um grande significado para Joana, a jovem guarda algum carinho pelas pessoas da Horta Nova que não conseguem ter as mesmas oportunidades na hora de prosseguir os estudos: “Este bairro até acaba por reflectir o nosso país com tanta gente a viver do rendimento mínimo ou do subsídio de desemprego. Acho que se deviam dar bolsas aos menos favorecidos. Tenho um amigo que acabou o 12º (ano) e agora podia estar na faculdade. Só não foi para a faculdade porque os pais dele não têm possibilidades para o fazer”.

O amigo de quem Joana fala é Ricardo Lopes Almeida, um jovem de origem cabo-verdiana, que completou o ensino secundário há dois anos, mas que ainda não pôde prosseguir os estudos.

Com 19 anos de idade, Ricardo confessa que o tempo de espera é difícil de ultrapassar: “Sempre me senti motivado para estudar. Quando acabei o secundário queria ter continuado, mas tive de tirar um ano para ganhar experiência e algum dinheiro para tirar o curso. Infelizmente já passaram dois anos, mas gostava de voltar este ano a estudar”. O curso de Web Design, na área da multimédia, é o grande objectivo de Ricardo. A média de 16, construída no secundário, dá-lhe a confiança de que será possível entrar na faculdade que deseja. O problema será sempre o pagamento das propinas, difíceis de comportar para si e para a sua família. No tempo em que esteve sem estudar, Ricardo conseguiu arranjar um trabalho na Junta de Freguesia de Carnide como monitor/animador de crianças em actividades de tempos livres. Algo que julga ter sido insuficiente para cobrir algumas das despesas que um curso no ensino superior o irá obrigar a ter. Apesar de a vida ainda não estar a tomar o curso certo, Ricardo não lamenta o facto de morar num bairro social. Pelo contrário, é também um convicto orgulhoso por morar na Horta Nova: “Não acho que viver num bairro social me tenha tirado oportunidades no futuro. Morar num bairro problemático não implica ser problemático. O bairro tem um bom ambiente e todos se conhecem. Há umas confusões, mas nada de mais”. Para o futuro, Ricardo promete não “baixar os braços” e continuar a acreditar que vai conseguir tirar um curso superior e ter um emprego em Multimédia, a área que sempre desejou.

Tal como Ricardo, também Tiago Direitinho aguarda que o futuro próximo lhe seja favorável e lhe abra perspectivas de algo melhor. A carreira como futebolista profissional está mais longe, mas a esperança mantém-se para ter uma carreira no mundo do Desporto. Tiago prepara-se agora para encerrar de vez o seu 12º ano e seguir definitivamente pela área que tanto gosta e que tantas emoções lhe despertou ao longo da sua vida.

Tiago sorri, enquanto se prepara para beber a última chávena do seu café. O tempo de conversa já vai longo e a altura é de despedidas. Agradeço-lhe a oportunidade por me ter concedido esta pequena conversa mais privada e terminamos com um convicto aperto de mão.

Histórias de sucesso e de determinação fazem com que possamos acreditar no futuro dos jovens do nosso país. A esperança que perdura nas mentes de Tiago, Fábio, Sérgio, Joana ou de Ricardo dão o alento necessário a uma geração que é dada, por muitos, como perdida.

Ainda assim, e apesar de todo o carinho que o Bairro lhes merece, são unânimes em alicerçar a esperança no futuro numa mudança de domicílio. Afinal, existem sítios bem mais fáceis para jovens como eles.

(Mário Alexandre Oliveira, nº5608, Turma A de Jornalismo - Junho 2011)

Sexta-feira, 17 de Junho de 2011

Relatório sobre a Manipulação da Imprensa na Área Desportiva

O texto que se segue foi escrito para a cadeira de "Metodologias de Investigação Aplicadas à Comunicação", leccionada pelo prof.º Óscar Mascarenhas. Apesar de ser um texto algo extenso, espero que seja do vosso agrado.

A Manipulação da Imprensa na Área Desportiva

O tema que decidi desenvolver no seguinte relatório prende-se com a manipulação, que determinados órgãos de comunicação social desportiva exercem sobre o cidadão comum, tentando verificar se essa influência poderá ser, ou não, capaz de modificar os seus comportamentos e formas de pensar. Sabendo-se de antemão que o poder dos media actual é extremamente forte e que a informação está ao alcance de qualquer cidadão, será interessante verificar até que ponto poderá a comunicação social ser capaz de inventar notícias ou criá-las com base num rumor sem fundamento, apenas para conseguir vender jornais, tendo como ponto prévio que o cidadão comum vai aceitar a informação que lhe é fornecida e aceitá-la como uma notícia que entende ser de confiança.

A associação deste tema em concreto, relativo à influência dos media será, neste relatório, única e exclusivamente relacionada com a área desportiva, que, por tantas vezes, é colocada em causa, por muitos jornalistas, acerca do seu rigor, exactidão, a não audição de todas as partes envolvidas, a utilização de meios desleais para a obtenção de informações, isenção e imparcialidade na hora de transmitir a notícia para o leitor, recorrendo, por diversas ocasiões, ao sensacionalismo para aliciar o leitor a “comprar o produto (notícia) que pretende vender”. Assim sendo, decidi estabelecer uma ligação entre a temática acerca da manipulação que a imprensa exerce os cidadãos e a realidade do jornalismo desportivo actual.

Antes de mais, e sendo esta uma problemática algo delicada, convém esclarecer devidamente os conceitos de manipulação, objectividade e influência. Adriano Duarte Rodrigues, no Dicionário Breve da Informação e da Comunicação, indica-nos que o conceito de manipulação remete para o “processo de dissimilação que consiste em enganar, fazendo crer em factos que não existem ou em opiniões contrárias àquelas que se professam efectivamente, (…) e que podem ter origem na propaganda política e nas estratégias publicitárias como na informação mediática”. Em sentido inverso, verificando o conceito de objectividade, que se opõe ao de manipulação, é-nos apresentado como a “exigência de fidelidade, exactidão e rigor no relato das opiniões e dos factos, reivindicada pelo discurso jornalístico”. Por fim, e não menos importante, é importante enquadrar ainda neste grupo de “conceitos-chave” deste trabalho o conceito de “influência”, apresentado no mesmo dicionário, e que está directamente relacionado com o de “manipulação”. Segundo o autor, podemos apresenta-lo como o “poder que os media são supostos exercer sobre as crenças, as atitudes, as decisões e os comportamentos dos indivíduos, dos grupos, da sociedade global e da sociedade internacional”. Com a apresentação destes conceitos fundamentais na apresentação do tema, chega agora a altura de os associar ao tema relacionado com a imprensa desportiva dos dias de hoje. Antes de mais, é importante delimitar um determinado período de tempo sobre o qual este trabalho se irá centrar. Sendo a manipulação/influência da imprensa desportiva um tema actual e sempre na ordem do dia, entendi que toda esta análise e apresentação de casos concretos serão efectuadas num período recente, mais concretamente entre os anos de 2010 e o actual (2011).
A pergunta que deve ser colocada, em primeiro lugar, como referência introdutória deste trabalho é saber até que ponto poderão ser inventadas notícias nos diários desportivos apenas para vender jornais e, desta forma, manipular a opinião pública através de notícias sem fundamento e/ou falsas. A resposta a esta questão não pode ser apresentada com exactidão e certezas, mas poderá haver sempre indícios ou suposições, baseados em determinados estudos de hipóteses e casos concretos de “supostas” invenções de imprensa, que permitam encontrar alguma fundamentação para uma possível argumentação, proveniente desta pergunta.

Segundo o jornalista Fernando Correia, autor da obra “Os Jornalistas e as Notícias”, um “jornalista deve estar ao serviço do público, no sentido de ser o seu dever profissional contribuir para a boa informação dos leitores”. Ora, seguindo esta linha de ideias, todo e qualquer jornalista deve ter sempre em linha de conta que quando se encontra a exercer a sua profissão deve trabalhar com o maior rigor e isenção para que os leitores de um determinado jornal apenas tenham acesso a conteúdos rigorosos e que correspondam à mais pura das verdadeiras. No entanto, a realidade jornalística actual, ligada ao desporto, é bem diferente daquela que Fernando Correia idealiza. A situação portuguesa actual, como o próprio o reconhece, não é benéfica para a prática correcta do jornalismo, uma vez que grande parte dos jornalistas portugueses comete diversos tipos de infracções “à ética profissional”, que acabam por desrespeitar o código deontológico (em vigor desde 1993). Só assim se poderá explicar as sucessivas queixas e acusações de que os jornais e jornalistas desportivos actuais são alvo, constantemente. As queixas processam-se geralmente depois de a notícia ser publicada por um determinado jornal, na sua edição impressa.
Recorrendo a casos concretos, podemos recuar, por exemplo, ao dia 16 de Abril de 2011, no qual o Sport Lisboa e Benfica, em comunicado, no seu site oficial, desmente a notícia do jornal desportivo “Record” relativo ao interesse no jogador Paulo Machado, do Toulouse. No texto apresentado pode-se ler o seguinte: “O Sport Lisboa e Benfica vem esclarecer que, com todo o respeito que o atleta nos merece, este não está, nem esteve nos seus planos desportivos e, quem diz o contrário, está a mentir. Os jornalistas devem interrogar a fonte dessa notícia das reais razões que a levam a alimentar este tipo de especulação. Esperamos que os jornais de amanhã dêem a este desmentido o mesmo espaço que lhe deram hoje”. Assumindo-se que o clube está a dizer a verdade neste documento, convém tentar perceber o que motiva um jornal a “mentir” e a “alimentar este tipo de especulação”, sabendo que a notícia não corresponde à verdade. Noutro comunicado, também do SL Benfica, publicado no dia 7 de Maio de 2011, sobre uma eventual saída de Óscar Cardozo do plantel principal, podem-se ler mais acusações à imprensa desportiva (mais concretamente ao jornal “Record”), onde é dito que "mais uma vez se lamenta que o jornalista responsável pela informação não tenha tido o cuidado de contactar nenhum responsável “encarnado” antes da sua publicação”. E aqui poderá residir um dos grandes problemas da imprensa desportiva, que motiva este “choque” de opiniões entre os clubes e a imprensa desportiva. Se é, de facto, uma evidência que o jornalista de um determinado jornal desportivo, para evitar este confronto de ideias, poderia, antes de divulgar a notícia, consultar a entidade em questão para saber a veracidade da notícia, o que também não deixa de ser verdade é que os clubes (ou entidades) de algum relevo, mesmo sendo contactados com esse propósito, optam geralmente pela posição de “não comentar o sucedido” ou, pior ainda, negar a notícia, mesmo que esta tenha um fundo de verdade. Entende-se, por um lado, que o clube em questão não queira assumir a realidade dos factos para não prejudicar o bom funcionamento da sua empresa e/ou negócios, mas também não pode ser ignorado o facto de que, ao mentirem (ou omitirem a verdade), estarão a contribuir para a tal perda de confiança da imprensa na palavra desses clubes e, consequentemente, originam mais desentendimentos entre a imprensa e as entidades em questão.

Veja-se o exemplo relacionado com a aquisição do passe do jogador Ramires, por parte do Sport Lisboa e Benfica, ao Cruzeiro de Belo Horizonte, no dia 21 de Maio de 2010. Nesse dia o Benfica desmentiu categoricamente a contratação do jogador (“são falsas as notícias veiculadas pela comunicação social sobre a existência de negociações para aquisição do passe do jogador Ramires”), por volta das 22h, e, apenas uma hora e meia depois, a equipa brasileira confirmava que o jogador iria mesmo para o Benfica. Outro exemplo, este mais recente, está relacionado com a contratação de Domingos Paciência para o Sporting Clube de Portugal. Quando já havia uma convicção geral de que o antigo treinador do Sporting Clube de Braga iria para o Sporting CP, o clube, em comunicado, no dia 19 de Maio de 2011, negou qualquer envolvimento com o treinador: “A Sporting Clube de Portugal - Futebol, SAD vem comunicar ao mercado que não efectuou quaisquer contactos com o Presidente do Sporting Clube de Braga, SAD, relacionados com o seu Treinador Principal”. No entanto, apenas 4 dias depois, o clube anunciava a sua contratação. Estas inconsistências e contradições, de parte a parte, acabam por também não ser benéficas para a coexistência saudável entre a comunicação social e os clubes desportivos.
A falta de confiança entre ambos não parece ser um problema de fácil resolução. A forma algo receosa com que as entidades clubísticas encaram a comunicação social não beneficia a transparência e o rigor informativo, mas isso não deveria permitir, em circunstância alguma, o direito à falsa informação ou à transmissão de notícias carentes de rigor e exactidão e viradas para o sensacionalismo. Vladimir Volkoff, autor do livro “Pequena História da Desinformação”, alerta-nos para o facto de nunca haver uma “informação que seja 100% verdadeira”. Existem sempre erros que se “infiltram por todos os lados” e que podem tornar uma informação em algo que não é totalmente seguro.

Nos tempos recentes, tem havido alguma preocupação crescente relacionada com a verdadeira “independência” das notícias. Anthony Giddens, na sua obra “Sociologia” chega a alertar para o “aumento da influência dos empresários dos meios de comunicação social e das grandes empresas, na medida em que estas companhias constituem um negócio que não só vende mercadorias como influencia opiniões”. Esta “influência” poderá gerar alguma desconfiança no leitor que, assim, não saberá até que ponto poderá confiar que uma determinada notícia não sofreu “alterações” ou “reajustes” na hora de ser lançada para o público. Veja-se, num comunicado lançado pelo SL Benfica, no dia 9 de Abril de 2011, onde desmentia a contratação do jogador Santiago García, do Nacional de Montevideo. No texto apresentado para a comunicação social, podia ver-se, para além das habituais acusações ao jornal “Record” onde afirma que “parece apostado em inventar jogadores para o SL Benfica”, o mesmo comunicado lança a desconfiança para a existência de “muitos empresários que se aproveitam destes momentos para promover os seus representados, à custa – é verdade – de jornalistas que no meio de um verdadeiro “turbilhão” de nomes se deixam utilizar como “correia de transmissão” dos interesses desses mesmos empresários”. Este comunicado acaba por lançar acusações graves relativamente ao papel do jornalista, demonstrando que, por vezes, o jornalista poderá não ter a liberdade total para o lançamento de certas notícias e que poderá estar sujeito a uma “pressão exterior” para a publicação de notícias que nada têm de verdadeiro e que apenas são do interesse de determinados “empresários” que podem lucrar com a divulgação dessa notícia.
No entanto, qualquer informação deve ser dada com o mínimo de rigor e atenção, sob o pressuposto de que se está a informar com base em fontes credíveis, devidamente reforçadas por alguém que confirme a notícia. De outra forma, poderemos incorrer no grave erro de cair na “desinformação”, algo que Vladimir Volkoff define como uma “manipulação da opinião pública (…) através da informação trabalhada por processos ocultos”.

Isto faz levantar a questão apresentada no início deste relatório sobre o que poderá motivar a imprensa desportiva a inventar notícias duvidosa, apenas para vender jornais, tentando manipular, desta forma, a opinião pública a comprar o seu “produto”. É o sensacionalismo uma “arma” inconveniente, mas, ao mesmo tempo, poderosa? Os números dizem que sim. Apesar de toda a “guerra" de comunicados e desmentidos, o jornal “Record”, principal alvo das críticas do SL Benfica, é o líder de mercado do nosso país com uma venda de jornais diários na ordem dos 70 mil exemplares. A posição do clube em relação ao jornal, nos dias de hoje, é clara e é bem visível nos desmentidos que habitualmente faz sobre as notícias apresentadas pelo jornal. Temos, por exemplo, um comunicado lançado no passado dia 31 de Maio de 2010, em que o Benfica, desmentindo a contratação do guarda-redes Eduardo (na altura do SC Braga), tece duras críticas ao jornal: “O jornalismo deve, em todos os momentos, ser rigoroso, é uma trave mestra da profissão. Infelizmente, e cada vez mais, o problema com que diariamente nos deparamos é a falta de rigor com que os media tratam os factos que evocam. (…) Já uma vez desmentimos publicamente tal interesse, tamanha a insistência do jornal. Já várias vezes, de forma privada, avisamos do erro grosseiro em que se estavam a deixar enredar. De nada parece ter adiantado. Tal comportamento só nos pode levar a concluir que o 'Record' não se importa de enganar os seus leitores! A partir daqui, e se insistirem no tema, os leitores do Record ficam a saber que só são enganados se quiserem!!”. Outro exemplo, este mais recente, no passado dia 10 de Maio de 2011, diz respeito a uma notícia do mesmo jornal, sobre um possível interesse do Benfica em José Couceiro, ao qual o clube de Lisboa respondeu dizendo que a “notícia é absurda” e que o jornal em questão “demonstra novamente muita imaginação” na hora de relatar os factos e apresentar as notícias.

Este clima de crispação entre a imprensa e as entidades desportivas, como é óbvio, não beneficia em nada o leitor, que deseja apenas ter em suas mãos informação verdadeira e de qualidade. Nunca o público vai saber bem de onde vem a versão verdadeira dos factos: se de um clube que nega informações, que depois se vêm a verificar que são verdadeiras, ou de um jornal que recebe todas estas críticas e que, tantas foram as vezes que errou ou apresentou alguma notícia que não se veio a concretizar efectivamente. É este o dilema de qualquer pessoa que se queira manter bem informada, mas que não sabe nunca para onde é que se poderá vir.
Se no caso das entidades desportivas verificámos que a possível “mentira” ou “omissão da verdade” para o exterior poderá ter que ver com um programa de defesa dos interesses do clube, para que não haja nenhum tipo de interferências nos negócios da empresa, já no que diz respeito à comunicação social, a análise tem de ser feita de uma forma diferente. Em primeiro lugar, e acreditando que o jornal tem interesse em noticiar uma informação pouco credível, terá de se entender que o principal objectivo que daí poderá advir é o lucro económico e a tentativa de ganhar protagonismo e superioridade em relação aos restantes jornais na “venda” de informação. A Brass Tacks Design, uma empresa que efectuou uma reestruturação gráfica e editorial em alguns dos mais importantes jornais norte-americanos, lançou o alerta de que se as empresas querem continuar a vender jornais devem reorganizar-se e seguir um conjunto de regras dos quais se destaca a “saudável” convivência com a nova fonte de informação “Internet” e a tentativa de apresentar sempre um destaque de primeira página no jornal diário.

Assim sendo, percebe-se que os jornais diários, para vender, queiram sempre alguma notícia de destaque, que cative a atenção do leitor. Sendo ela verdadeira, ou duvidosa, aí, sim, reside o dilema. Querendo vender, os jornais sabem que têm de ser apelativos e abranger o maior número de leitores. Fixando a atenção, neste caso, no SL Benfica, como é sabido, é um clube com muitos adeptos, em todo o país. E os jornais sabem que uma notícia “forte”, que envolva o Benfica vai vender sempre mais do que uma outra qualquer que envolva um clube de menor dimensão e com menor mediatismo.

Daí que, tal como Fernando Correia anuncia no seu livro “Os Jornalistas e as Notícias”, o jornalista baseando-se no estereótipo de que o Benfica é o clube que “mais vende”, cria “uma imagem do público-alvo” e “vende” a notícia para aquilo que julga ser a maioria das pessoas interessadas. Isto apesar de não ter um dado científico que lhe garanta “conhecer bem o público” e qual é o seu interesse, quando compra um jornal. Esta situação acaba por ser, no entanto, ilusória, uma vez que o jornalista de um determinado jornal não sabe para quem vai escrever e qual é o seu leitor mais fiel. Segundo Fernando Correia, o jornalista “mesmo que não tenha consciência, escreve mais para os camaradas de profissão e para as direcções e chefias do que para o público, pois é deles que, quotidianamente, recebe as orientações e as indicações, os elogios e as críticas, troca informações e compara notícias. O público está longe, e é muito mais difícil obter uma reacção vinda da sua parte”. Apesar de ter uma noção algo vaga, o jornalista não sabe qual é o tipo de leitor “dominante” das suas notícias e qual é o seu interesse, quando compra um jornal. No entanto, sabe aquilo que pode despertar interesse no leitor ou ser capaz de o fazer comprar o jornal. É a notícia “diferente” e “inédita” que o público procura. Mas será que, mesmo que as notícias possam aparentar não ser verdadeiras, o leitor não terá interesse em lê-las? Será que o leitor, apesar de saber que poderá estar a ser manipulado, não vai ler à mesma informação para ele próprio tirar as suas ilações? Aí reside a grande questão de toda esta problemática, à qual não há uma resposta concreta. Mas as suposições são várias. A polémica, como é sabido, vende. O jornal Record, neste caso concreto, sendo ou não rigoroso nos argumentos dos clubes em questão, é o que mais vende em Portugal. A mentira nunca será “comprada” por leitor algum. Contudo, a dúvida e a polémica irão sempre conseguir cativar demasiados leitores, talvez até mais do que a informação rigorosa, para que a verdadeira prevaleça.

Caberá ao jornalista desportivo a difícil missão de procurar inovar e fazer da verdade um tema que seja diariamente interessante e apelativo para o público. O jornalismo é uma arte, como outra qualquer, e, neste caso, o trabalho do jornalista, para além de ter de dizer sempre a verdade com rigor e exactidão, deve procurar diariamente formas de desenvolver a notícia, evitando recorrer a métodos que eliminem a sua transparência. Só assim é que o jornalismo desportivo, algum dia, poderá voltar ser uma área respeitada por todos e, mais importante ainda, ganhar a confiança de todos os leitores.

(Mário Alexandre Oliveira, nº5608, Turma A de Jornalismo - Junho 2011)