A reportagem que se segue foi escrita para a cadeira de Ateliê de Imprensa I, leccionada pelo professor Paulo Moura. Espero que o texto vos dê tanto gozo a ler como me deu a mim a escrever. Um bairro por muitos considerado como problemático, mas cheio de casos de sucesso e de jovens com vontade de trabalhar e viver.
Os jovens da Horta Nova
“Este Bairro não é para Novos”

Quando chegamos, dois polícias saíram da esquadra do Bairro e dirigiram-se a nós, sinal claro da estranheza que causa qualquer “estrangeiro” que por aqui passa. Não é fácil ser polícia nesta esquadra, confessa um, enquanto relembrava os eventos que marcaram o dia 30 de Novembro de 2007, quando um jovem morador de 22 anos se barricou na casa de uma vizinha com uma arma de fogo e um pitbull para fugir a um mandato de detenção. “Três colegas meus foram agredidos por alguns moradores, que viam o meliante como um herói local”. Em duas pinceladas, fica a ideia de um bairro social como tantos outros, cuja origem a história vem explicar.
Ainda antes de Abril acenar com a liberdade, começava em Lisboa um movimento de requalificação da paisagem urbana, numa tentativa de pôr fim ao crescente número de “bairros de barracas” que cercavam o centro urbano. Em 1974, dealbada a revolução, nasceu o Bairro da Horta Nova. Este Bairro, com quase 2 mil habitantes, localizado na freguesia de Carnide, é, nos dias de hoje, um problema de difícil resolução para a Câmara Municipal de Lisboa.

Os moradores queixam-se das condições de habitabilidade que entendem ser maioritariamente precárias e culpam o Estado pela falta de apoios às famílias com menores possibilidades de subsistência e com uma fraca qualidade de vida. Frequentemente associado a casos de criminalidade e de desacatos sociais, a “Horta Nova” está longe de ser um local propício para o crescimento sustentado dos jovens que por lá habitam. A taxa de abandono escolar é crescente e a maioria dos jovens derivam para o caminho da delinquência. Este retrato, aparentemente tão negro, é, no entanto, contrariado por exemplos de determinação e solidariedade.
“Mais do que um bairro, somos uma família. Estamos juntos para o bem e para o mal”. É assim que Tiago Filipe Direitinho descreve a Horta Nova, o bairro que o viu o nascer e que o fez crescer para a vida.

Diz-se que um simples olhar pode valer mais do que palavras. O caso de Tiago é exemplo disso mesmo. A simpatia com que me recebeu não foi capaz de disfarçar a insegurança do seu olhar. Uma expressão que, em tempos, ilustrava alegria, paixão pelo futebol e a felicidade por jogar ao mais alto nível, ao lado de jogadores que foram, em tempos, os seus ídolos de infância. Hoje, reflecte uma vida de dificuldades, mas também de luta e esperança na procura por uma nova oportunidade. Que, no fundo, é tudo aquilo que Tiago quer. Com 20 anos de idade, Tiago abre-nos a porta do “seu” bairro e apresenta-nos a sua história. Que não é de sucesso, mas também está longe de ser de insucesso. Apenas uma história, longe do final, que aguarda por novos capítulos.
A chegada ao bairro da Horta Nova deu-se sem problemas. O relógio marcava as 8 da manhã, de um dia de Inverno algo enevoado, que ainda esperava pelas primeiras gotas de chuva das carregadas nuvens cinzentas que pairavam sobre os prédios do bairro. Os gradeamentos que protegiam as lojas do piso térreo denunciavam o temor dos que aqui trabalham. Alguns carrinhos de supermercado jaziam, semidestruídos, por baixo das arcadas. Quando chegámos ao café “Forno da Horta”, já o Bairro dava os primeiros sinais de vida.

(café “Forno da Horta”)
À porta do café, curiosamente acolhedor, encontrámos o nosso interlocutor. Já sentados numa das poucas mesas do café, Tiago pousa os braços em cima da mesa e abre o coração para expor um pouco da sua história. De voz baixa, mas perceptível, Tiago aparenta ter um ar relaxado e descontraído na hora da entrevista. Com uma capacidade comunicativa agradável, não consegue disfarçar, ao longo de toda a entrevista, a paixão que tem pelo “seu” bairro: “Gosto do meu bairro, não o trocaria por nada visto que tenho aqui os meus amigos, a minha família e um campo de futebol à porta de casa. Foi graças a ele que aprendi tudo aquilo que sei hoje. Devo-lhe tudo”. O apego que Tiago nutre pelo futebol é indisfarçável. Todas as conversas acabavam por dar, de uma forma ou de outra, ao desporto. A paixão que Tiago tem e o sonho que deixou fugir por entre as mãos: “Desde muito pequeno que jogo à bola. Logo aos 5 anos inscrevi-me na Juventude da Horta Nova, o clube desportivo aqui do bairro. Depois passei por uma série de clubes até que, aos 14 anos, recebi o convite para ir para o Estrela da Amadora (na altura estava na primeira divisão de futebol de onze). Foi uma oportunidade única!”
A qualidade que Tiago tinha para o futebol é confirmada pelos seus colegas de bairro. Jorge Sousa, 24 anos, não tem dúvidas de que o seu amigo, na altura, tinha todas as condições para ser um grande jogador em Portugal: “Ele tinha um talento invulgar. Vi muito poucos com a técnica dele. Foi pena não ter dado certo”. A história de aparente sucesso de Tiago muda de figura, quando, aos 16 anos de idade, recebe uma proposta, aparentemente irrecusável: um convite para jogar no Sporting Clube de Portugal. Tiago, ainda hoje, não consegue explicar o porquê de ter rejeitado a proposta: “Na altura, o treinador de um amigo meu, ligado ao Sporting, veio ter comigo e perguntou-me se eu queria ir para o Sporting. Fiquei entusiasmado com a proposta, mas tive o azar de contrair uma lesão grave, que me obrigou a rejeitar a proposta. Não tinha condições para ir”. A difícil decisão de rejeitar um clube como o Sporting acabou por marcar a vida de Tiago Direitinho: “Depois disso, terminei a minha carreira como futebolista. Não queria falar muito sobre isso. Mas deixei fugir a oportunidade”. Enquanto Tiago se debruça para beber mais uma chávena do café, é notório o seu desconforto em abordar este assunto. Sem querer adiantar muito, não esconde alguma mágoa por não ter aceite o convite para ir para o Sporting. A lesão acabou por surgir numa má altura, mas Tiago guarda alguma revolta por ninguém no Sporting lhe ter estendido a mão quando precisava e por se terem recusado a ajudar alguém “vindo de um bairro problemático, que podia não justificar a oportunidade que lhe estavam a dar”. Apesar do infortúnio, algo inesperado, que surgiu na altura, Tiago não esquece quem o fez acreditar nas suas capacidades e o ajudou a evoluir como jogador profissional: “Se não fosse a Juventude da Horta Nova, não teria tido todas essas oportunidades. Falhei por causa de um azar, mas foi graças a ele que cheguei tão longe. As pessoas pensam que a Horta Nova é um caso perdido, mas não é verdade. Somos um bairro que “lança” muitas pessoas, principalmente no desporto. Por exemplo, há uns anos saiu de cá o Kenedy. Jogou no Benfica e no Porto e chegou a ir ao Mundial (Mundial de Futebol de 2002 na Coreia do Sul e Japão). Mas como ele há vários”.

(Campo de Futebol da Horta Nova)
E no Desporto, são vários os jovens que continuam a despontar para fazer carreira a nível profissional. A Juventude da Horta Nova continua a ser um meio de afirmação de vários jovens, que procuram encontrar um novo rumo para as suas vidas. Muitos jovens do bairro da Horta Nova abandonam os estudos e procuram outras formas de ganhar a vida. O Desporto, mais concretamente o futebol, acaba por ser uma delas.
Fábio Fortes é o mais recente caso de sucesso do bairro da Horta Nova. Com apenas 19 anos de idade, o jovem futebolista apareceu nas bocas do país, depois de assinar um contrato profissional com o Vitória de Guimarães, no dia 10 de Junho de 2011, através da agência do mais bem cotado empresário do mundo, Jorge Mendes.

Com uma forte ligação afectiva ao bairro que o viu nascer, Fábio não consegue esconder o misto de sentimentos que viveu na altura de tomar a decisão: “Agrada-me muito a possibilidade de jogar num clube como o Guimarães, mas o facto de sair do bairro é um bocado difícil. Tenho muito orgulho e gosto por morar aqui no “meu” bairro. Nunca o escondi, nem o vou fazer já que uma pessoa nunca deve esconder de onde são as suas raízes e onde vive ou viveu”. Na hora da despedida, Fábio revela toda a sua humildade em reconhecer a importância do bairro no seu crescimento enquanto pessoa e jogador de futebol e faz questão de valorizar o “espaço” que o fez progredir para esta carreira como futebolista profissional: “A Juventude deu-me uma oportunidade, aos 5 anos, de iniciar algo que agora me permite ser feliz que e começar a jogar futebol. Com mais condições iria ser capaz de formar muito bons jogadores, já que aqui no meu bairro há jogadores com qualidade, mas nos sítios errados”.

Sobre o bairro em concreto reconhece que continua a existir o problema de haver “muitos jovens a seguir o caminho que não devem”, mas não tem dúvidas em afirmar que sempre residiu “num dos melhores bairros cá em Portugal, que tem muitas pessoas com qualidade e trabalhadoras”. Para o seu futuro, Fábio admite que vai ser difícil continuar a estudar, uma vez que está “muito concentrado no futebol”, mas não exclui a possibilidade de completar os estudos um dia mais tarde.
Sérgio Baía, 25 anos, optou pela mesma via do que Fábio. O futebol fez com que abdicasse muito cedo dos estudos e arriscasse por uma carreira profissional.

Alguns anos depois, Sérgio entende que essa era a única alternativa que tinha, na altura: “Fiquei com o 9º ano. Depois era difícil estudar e jogar ao mesmo tempo. Nos primeiros tempos treinava de manhã e estudava à noite. Mas depois tive de abandonar os estudos quando saí de Portugal para jogar no estrangeiro”. Sérgio que, como grande parte dos jovens do bairro, iniciou a sua carreira na Juventude da Horta Nova, teve um percurso que se augurava ser auspicioso: “Comecei muito cedo como guarda-redes. Jogava cá no bairro e depois recebi dois convites: do Benfica e do Sporting. Escolhi o Sporting, mas não correu bem. Mandaram-me logo embora”. A saída do clube, de forma tão repentina, tem uma explicação clara, no entender de Sérgio: “Saí porque era de um bairro social, não tenho dúvidas. Quando lá estava os outros jogadores eram favorecidos porque ofereciam coisas ao treinador em troca de um lugar na equipa. E depois ficaram com o meu lugar”.
No entanto, Sérgio depois da experiência menos positiva no Sporting, não abdicou do futebol. Depois de passar pelo já extinto Alverca, onde saiu depois de o clube abrir falência, seguiu para o mais modesto Odivelas, onde jogou até receber uma proposta inesperada: “Estava no Odivelas e um empresário (Sérgio Leite) veio ter comigo no final de um treino e perguntou-me se queria ir jogar para o Chipre. Vi logo que ia ganhar imenso dinheiro”.

Apesar de ter hesitado na hora de aceitar o convite, já que sabia que iria ter de abdicar do bairro onde nasceu e de todas as pessoas com quem partilha o seu dia-a-dia, Sérgio decidiu ir para o Chipre. A adaptação aos costumes do país foi um processo demorado, mas que, segundo Sérgio, “até nem correu mal porque tinha alguns conhecimentos de inglês”. As perspectivas animadoras que encontrou na sua chegada ao Chipre acabaram por não se manter e, pela terceira vez na sua carreira, o azar voltou a bater-lhe à porta: “Fiquei lá um ano e não me pagaram metade dos ordenados. Tive a oportunidade de continuar no Chipre, com convites de outros clubes, mas não quis arriscar de novo. Fiz as malas e voltei para Lisboa”, conta visivelmente incomodado com a situação que acabou por encerrar de vez a sua carreira no mundo do futebol. A vida de Sérgio, quando chegou a Portugal, acabou por se inverter. Apesar de ter recebido algumas propostas para continuar a jogar futebol, Sérgio optou por não continuar a sua carreira no Desporto: “Actualmente trabalho numa empresa de transportação de mercadorias. O resto do meu tempo é passado aqui no bairro com amigos”.
Tal como Sérgio e Fábio, também Tiago Direitinho ocupa grande parte do seu tempo livre no bairro da Horta Nova. Depois de se ter retirado como jogador de futebol, a vida agora é passada em trabalho e, sempre que tem oportunidade, em convívio com os amigos a jogar às cartas pela noite dentro. Enquanto leva nova chávena de café à boca, Tiago lembra que agora está mais sujeito a ver situações de mais desacatos e confusões no bairro, uma vez que a maior parte do tempo que passa no bairro é durante a noite, na altura em que se podem suceder os casos de criminalidade ou delinquência. Na memória de Tiago, enquanto fala deste tema mais problemático, está um caso recente, noticiado pela comunicação social portuguesa, acerca do Bairro da Horta Nova: “No Benfica-Porto, este ano, houve alguns desacatos entre a claque do Porto e os habitantes do nosso bairro. Isto teve nos jornais todos. Depois chegou a polícia e soube que foram recebidos com pedradas”.
Apesar de ter um grande carinho pelo bairro, Tiago reconhece que todas estas situações não são benéficas para o seu desenvolvimento. A falta de apoio do Estado aos habitantes da Horta Nova, segundo Tiago, não favorece o seu crescimento e o desinteresse dos mais jovens pelos estudos é um caso cada vez mais comum no bairro. Tiago Direitinho não considera que deva ser incluído neste grupo, porque sempre teve motivação para ir à escola e estudar: “Fiquei com 12º ano incompleto, faltou-me uma disciplina (Inglês). Depois comecei a trabalhar e pensava que conseguia conciliar as duas coisas. Mas tinha de ajudar os meus pais com as despesas e não queria que nada faltasse aos meus irmãos”. Apesar de não ter completado o ensino secundário, Tiago afirma que ainda pensa voltar a estudar, agora que passou dois anos a trabalhar. No horizonte de Tiago está, para além da conclusão do 12º ano, a licenciatura em Desporto, algo com que sonha desde criança. Para isso, garante, tem o apoio incondicional dos seus pais.Os casos de sucesso, no bairro da Horta Nova, não se constroem apenas com base no Desporto. Apesar de haver um elevada taxa de abandono escolar no bairro, ainda há vários casos de jovens que investem nos estudos e têm acompanhamento familiar para o fazer. Joana Ferreira Castanheira é um exemplo desses casos. Com 19 anos de idade, e sem chumbar um ano no ensino secundário, a jovem entrou no curso de enfermagem com uma média de 15 valores.

No entanto, reconhece que o apoio dos pais no seu sucesso escolar foi muito importante: “Ajudaram-me sempre que eu precisei. No 12ºano, tinha dificuldades a matemática e pagaram-me explicações para conseguir subir a média. E valeu a pena”. O apoio dos pais nos estudos foi fundamental para Joana, mas também para a sua irmã, Rita, que completou recentemente o curso em Medicina Veterinária, na Faculdade Técnica de Lisboa. Ambas prosseguem os estudos nas áreas que sempre sonharam e Joana garante o facto de viver num bairro social nunca prejudicou o seu trabalho escolar, até porque nunca arranjou muitos amigos com quem se identificasse na Horta Nova: “Tenho apenas alguns bons amigos. Nada mais. Não tenho grande interesse sobre o bairro, até porque, quando tirar o curso, pretendo sair daqui”. A indiferença com que Joana olha para o bairro que a viu nascer denota a pouca influência que ele teve na construção do seu futuro escolar. Apesar de já ter visto vários casos relacionados com drogas ou violência doméstica no interior do bairro, Joana sempre se tentou abstrair do que a rodeava e ignorar o que se ia passando: “Nem sequer ia ver o que se passava ou quem estava envolvido. Não ligava ao que se passava, simplesmente. Eu não olhava para o bairro como um exemplo. Preferia olhar para os meus pais que estudaram e trabalharam para ter uma vida boa. Eles sim foram a única coisa na Horta Nova que me influenciou a sério”. No entanto, apesar de o bairro não ter um grande significado para Joana, a jovem guarda algum carinho pelas pessoas da Horta Nova que não conseguem ter as mesmas oportunidades na hora de prosseguir os estudos: “Este bairro até acaba por reflectir o nosso país com tanta gente a viver do rendimento mínimo ou do subsídio de desemprego. Acho que se deviam dar bolsas aos menos favorecidos. Tenho um amigo que acabou o 12º (ano) e agora podia estar na faculdade. Só não foi para a faculdade porque os pais dele não têm possibilidades para o fazer”.
O amigo de quem Joana fala é Ricardo Lopes Almeida, um jovem de origem cabo-verdiana, que completou o ensino secundário há dois anos, mas que ainda não pôde prosseguir os estudos.

Com 19 anos de idade, Ricardo confessa que o tempo de espera é difícil de ultrapassar: “Sempre me senti motivado para estudar. Quando acabei o secundário queria ter continuado, mas tive de tirar um ano para ganhar experiência e algum dinheiro para tirar o curso. Infelizmente já passaram dois anos, mas gostava de voltar este ano a estudar”. O curso de Web Design, na área da multimédia, é o grande objectivo de Ricardo. A média de 16, construída no secundário, dá-lhe a confiança de que será possível entrar na faculdade que deseja. O problema será sempre o pagamento das propinas, difíceis de comportar para si e para a sua família. No tempo em que esteve sem estudar, Ricardo conseguiu arranjar um trabalho na Junta de Freguesia de Carnide como monitor/animador de crianças em actividades de tempos livres. Algo que julga ter sido insuficiente para cobrir algumas das despesas que um curso no ensino superior o irá obrigar a ter. Apesar de a vida ainda não estar a tomar o curso certo, Ricardo não lamenta o facto de morar num bairro social. Pelo contrário, é também um convicto orgulhoso por morar na Horta Nova: “Não acho que viver num bairro social me tenha tirado oportunidades no futuro. Morar num bairro problemático não implica ser problemático. O bairro tem um bom ambiente e todos se conhecem. Há umas confusões, mas nada de mais”. Para o futuro, Ricardo promete não “baixar os braços” e continuar a acreditar que vai conseguir tirar um curso superior e ter um emprego em Multimédia, a área que sempre desejou.
Tal como Ricardo, também Tiago Direitinho aguarda que o futuro próximo lhe seja favorável e lhe abra perspectivas de algo melhor. A carreira como futebolista profissional está mais longe, mas a esperança mantém-se para ter uma carreira no mundo do Desporto. Tiago prepara-se agora para encerrar de vez o seu 12º ano e seguir definitivamente pela área que tanto gosta e que tantas emoções lhe despertou ao longo da sua vida.
Tiago sorri, enquanto se prepara para beber a última chávena do seu café. O tempo de conversa já vai longo e a altura é de despedidas. Agradeço-lhe a oportunidade por me ter concedido esta pequena conversa mais privada e terminamos com um convicto aperto de mão.

Histórias de sucesso e de determinação fazem com que possamos acreditar no futuro dos jovens do nosso país. A esperança que perdura nas mentes de Tiago, Fábio, Sérgio, Joana ou de Ricardo dão o alento necessário a uma geração que é dada, por muitos, como perdida.
Ainda assim, e apesar de todo o carinho que o Bairro lhes merece, são unânimes em alicerçar a esperança no futuro numa mudança de domicílio. Afinal, existem sítios bem mais fáceis para jovens como eles.
(Mário Alexandre Oliveira, nº5608, Turma A de Jornalismo - Junho 2011)
