Pode-se dizer que o Porto, ontem, foi superior ao Vitória de Setúbal em todos os momentos do jogo. É verdade e ninguém poderá negar tais evidências. No entanto, há uma clara diferença no jogo da equipa, de uma parte para a outra. A entrada de Moutinho e, mais tarde, de Hulk, veio clarificar a preponderância que esses dois elementos têm na equipa do FC Porto e a superioridade da equipa em relação ao Vitória. São, indiscutivelmente, os dois jogadores com maior importância nos processos ofensivos da equipa de Vítor Pereira. O treinador do FC Porto, como já se percebeu, não quer mudar muito do que foi iniciado com o Porto de Villas Boas, da temporada passada, isto apesar de ter perdido o seu ponta-de-lança de referência, Falcao. (Faz, claro, muito bem!). Kléber não é, nem nunca vai ser, "um Falcao", mas é competente. Tem margem de progressão e encaixa-se bem no 4-3-3 implementado no FC Porto. Vai, certamente, marcar muitos golos esta temporada, assim como qualquer avançado minimamente eficaz o faria no seu lugar. Esta dinâmica e capacidade de integrar jogadores no seu onze base não está ao alcance de muitas equipas. Vê-se isso em plantéis como o do Manchester Utd, Chelsea, Real Madrid ou no Barcelona, sendo este último a "fonte de inspiração" dos últimos treinador do FC Porto. E, queira-se ou não, este FC Porto está cada vez mais identificado com a filosofia vencedora do Barcelona. Mudam-se os jogadores, muda-se o treinador, mas os processos não se alteram e a dinâmica é quase sempre a mesma.
No entanto, e tal como qualquer equipa (até no Barcelona), há jogadores que desempenham papéis de relevo na equipa onde estão. Por exemplo, pode-se associar a importância de João Moutinho, no Porto, à de Xavi, no Barcelona ou a de Hulk à de Messi. Não são indispensáveis para vencer jogos, mas a sua ausência é sempre notada quando se fala em construção de jogo ou capacidade para desequilibrar um encontro com um maior grau de dificuldade.
Facto certo, até ver, é que este Porto não está tão fragilizado como muitos pensariam, apesar da saída de alguns elementos importantes do plantel principal.
