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Há mais de quarenta anos que o SL Benfica não começava uma quarta temporada consecutiva com o mesmo treinador. Antes de Jorge Jesus, apenas Jimmy Hagan, entre 1970 e 1974, tinha conseguido tal proeza. No entanto, esta tentativa de o clube apresentar estabilidade no seu corpo técnico pode, precisamente, virar-se contra o próprio Benfica e Jorge Jesus.
O nome do treinador encarnado gera cada vez menos consenso na Luz e, agora, mais do que em qualquer altura, está sujeito a uma maior pressão, por parte da imprensa e dos adeptos do Benfica. Se a margem de erro, antes, era reduzida, agora, pode-se dizer que é praticamente nula. Na cabeça de todos já não está a conquista do título de campeão nacional, há 3 temporadas atrás, mas sim os recentes fracassos aos pés do FC Porto. E será contra os maus resultados do passado e contra uma série de erros técnicos, muitos deles por culpa do próprio Jesus, que o treinador do Benfica vai ter de enfrentar esta nova temporada.
Um desses erros técnicos está o próprio treinador a tentar resolver nesta pré-temporada. Ao abdicar de Emerson e Capdevilla, Jorge Jesus está, discretamente, a tentar emendar um erro que se prolongou por uma época inteira e que prejudicou, diretamente, a equipa do Benfica.
À semelhança daquilo que foi a temporada de Roberto, há um ano atrás, também Emerson foi o resultado de uma insistência, quase absurda, num jogador que pouco conseguia dar à equipa, fruto da sua pouca qualidade, aliada a uma tremenda falta de confiança. A aposta, desta forma, num jogador que se apresentava, à partida, com índices de confiança baixíssimos e que, para além disso, não tinha o apoio da massa adepta do Benfica não poderia, nunca, dar resultado. O tempo veio dar razão a todos aqueles que puseram em causa estas opções de Jesus.
Nesta nova temporada, Jesus não pode voltar a correr o risco de que apareça um novo “Roberto” ou um novo “Emerson”. E, para isso, vai ter de solucionar, rapidamente, a questão do lateral esquerdo do Benfica. Sem Emerson e também sem Capdevilla, que, na minha opinião, sempre justificou mais minutos de jogo, Jesus tem agora, até ver, à sua disposição, o antigo lateral do Paços de Ferreira, Luisinho, e o recém-adaptado, Melgarejo, também ele proveniente da equipa da capital do móvel.
Parece-me claro, antes de mais, que a aposta fixa num dos dois jogadores vai ser sempre um risco. Se der mau resultado, vai ser muito fácil atribuir todas as culpas ao treinador do Benfica. Com razão, diga-se, porque a fonte de todo este problema é ele mesmo. O que me parece também muito claro, tendo em conta aquilo que já observei dos dois jogadores, é que qualquer um deles não fica a dever, em nada, a Emerson. Tanto Luisinho, como Melgarejo, são jogadores que conferem à equipa do Benfica uma maior profundidade ofensiva e uma maior qualidade na troca de bola, fruto da sua boa qualidade técnica.
Nesta altura, e se, de facto, o Benfica não avançar para a compra de um lateral esquerdo, parece-me que Luisinho leva alguma vantagem, visto que é um jogador com mais rotina nesta posição. No entanto, tenho de reforçar a ideia de que Melgarejo pode vir a ser uma grande aposta para o lugar. Pode tudo correr mal, claro. Mas, em virtude da excelente capacidade técnica que possui e da enorme velocidade que consegue dar a toda a faixa lateral do terreno, Melgarejo pode ser a opção “improvável” para o onze titular do Benfica. Isto, claro, se o jogador conseguir assimilar as noções básicas, ao nível do posicionamento defensivo e da forma como deve, ou não, subir no terreno. Mas isto, Jorge Jesus saberá melhor do que eu ou qualquer um de nós. Fábio Coentrão que o diga.


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