Sexta-feira, 10 de Agosto de 2012

Pré-Temporada do FC Porto

Artigo publicado no site Relvado no dia 8 de Agosto de 2012: 
http://relvado.sapo.pt/pre-temporada-fc-porto-434556


Já começa a tornar-se um hábito em Portugal, mas este é mais um ano em que o FC Porto executa a sua preparação de pré-temporada, longe da atenção da comunicação social.
Sem se dar muito bem por ele, Vítor Pereira, a quem os adeptos do Porto prometem dar “rédea curta”, tem tido o espaço necessário para trabalhar e encontrar novas soluções para o seu plantel, sem que tenha de recorrer a grandes alterações no modelo da sua equipa. Fiando-me nas palavras do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, de que o plantel está, efetivamente, fechado, arrisco-me a dizer que a equipa que Vítor Pereira terá à sua disposição é mais forte do que a da temporada passada.

Sem procurar muito no mercado, o Porto avançou para o seu único grande investimento de Verão com a contratação de Jackson Martínez, um colombiano, desconhecido para a maioria, por quase 9 milhões de euros. Não irei fazer uma apreciação do jogador, numa altura tão prematura da sua chegada, mas, a ser, de facto, um jogador com um talento equivalente com o investimento feito na sua contratação, o Porto demonstrou ter percebido qual era a lacuna que faltava reforçar no seu plantel.
Foi evidente, para a maioria, que, na temporada passada, o grande problema do Porto era, precisamente o do ponta-de-lança. Sem Falcao, Pinto da Costa e Vítor Pereira fiaram-se na valia de Kléber para a primeira metade do campeonato passado e o seu erro ia saindo caro. Ficou evidente que o antigo jogador do Marítimo, pese embora a sua valiosa capacidade técnica para segurar a bola e jogar de costas para a baliza, não demonstrou estar, ainda, à altura da exigência para ser a única referência ofensiva de uma equipa como é a do FC Porto.
A meio do campeonato, os dirigentes do FC Porto tentaram remendar o erro cometido no princípio da temporada e foram buscar Janko, um jogador totalmente diferente de Kléber, mas que, tendo em conta as suas características físicas (forte e com uma boa presença dentro de área), se integraria melhor no esquema tático de Vítor Pereira. O que saltou à vista, todavia, foram as incríveis debilidades técnicas do jogador austríaco que, apesar de ter feito o gosto ao pé numa série de jogos, nunca convenceu os adeptos do Porto.
Faltava, portanto, ao Porto, um jogador que conciliasse a vertente técnica de Kléber com a presença física de Janko, na sua zona de ataque. Resta saber se Jackson Martínez é esse jogador. Do pouco que vi, não me pareceu, de todo, um jogador que possa ser considerado como uma “referência” dentro da área adversária.

Em relação às restantes posições do terreno, creio que esta nova temporada poderá vir a trazer uma alteração significativa na equipa base do Porto, desde logo, na baliza. Este é, indubitavelmente, o ano em que Hélton mais terá de fazer para manter o lugar. Na sua sombra está aquele que, na minha opinião, foi a grande revelação da temporada passada, na baliza dos clubes de menor dimensão, em Portugal: o guarda-redes Fabiano, que consegue conciliar os seus impressionantes 1.97m com uma agilidade e capacidade de reação entre os postes impressionante. Se não for nesta temporada, não tenho dúvidas de que na próxima, Fabiano já será um dos grandes guarda-redes do nosso campeonato, provavelmente como titular na baliza do Porto.
Na defesa, com a saída de Sapunaru, será, com certeza, Danilo a ocupar o lugar de lateral-direito. O antigo jogador do Santos, ao contrário do compatriota Alex Sandro (de quem, confesso, ainda mantenho imensas reservas), tem tudo para se afirmar como um elemento preponderante na equipa de Vítor Pereira.
Em relação ao meio-campo, caso não existam alterações, como se prevê, pouco ou nada irá mudar. Fernando continua a ser, a par de João Moutinho, o jogador mais importante na equipa do Porto e a sua saída, em qualquer altura, poderá deixar marcas irreversíveis na equipa. Tanto um como o outro, atualmente, são extremamente importantes na junção das manobras defensivas com as ofensivas da equipa, cabendo, como sempre, a Lucho a organização e temporização de todo o jogo do Porto. Não vejo, honestamente, Defour ou Castro com capacidade para desempenhar, de forma semelhante, o papel que qualquer um dos três jogadores do Porto desempenha na zona central do terreno.
Nas faixas laterais do ataque, Vítor Pereira conta, como sempre, com uma abundância de jogadores, que dão imensas garantias para todo o campeonato. A genialidade e imprevisibilidade da estrela da equipa, Hulk, garante, antes de mais, os desequilíbrios, que nenhum outro jogador consegue fazer no campeonato português. A saída do brasileiro, nesta altura, seria a melhor notícia de pré-temporada para os rivais Benfica e Sporting.

Em relação às restantes opções queria destacar ainda a revelação Atsu, que amadureceu muito na equipa do Rio Ave (e ainda havia quem quisesse acabar com a política de empréstimos na Liga Portuguesa…) e James Rodríguez. Na minha opinião, caso Hulk saia do Porto, é o jogador com mais capacidade para se afirmar como o elemento mais desequilibrador do plantel. Não tem, de todo, a compleição física do brasileiro, mas compensa-o com a sua técnica apuradíssima e uma velocidade e capacidade de aceleração, que fazem a diferença, em jogos de dificuldade mais elevada.

Esta é, portanto, a época em que Vítor Pereira tem tudo a provar, por mais injusto que isto possa parecer. Existe ainda muita desconfiança em relação ao atual treinador do Porto e nem a conquista do título foi suficiente para mudar este cenário. Eu incluo-me naqueles que ainda colocam em causa a qualidade do seu trabalho, enquanto treinador. Na época passada, a nível externo, o Porto falhou redondamente. Também tardou em convencer no campeonato. E falhou a conquista das duas taças internas. Agora, estarei deste lado para verificar se, afinal as desconfianças em relação a Vítor Pereira são corretas ou se ele não teve apenas a sorte do seu lado e mereceu, por completo, os louros sobre a conquista do campeonato transato.

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