Sábado, 21 de Janeiro de 2012

A angústia de Fernando Torres


Já começa a ser angustiante ver Fernando Torres a jogar no Chelsea. Nunca, em muito tempo que vejo futebol, vi um jogador tão talentoso com tanta falta de confiança, como vejo, agora, no internacional espanhol. Já começam a ser absurdos alguns lances do espanhol em frente à baliza e percebe-se, claramente, que é um jogador que não está bem, do ponto de vista psicológico. Toda a gente lhe reconhece talento para ser um dos melhores do Mundo. Mas o jogador não tem conseguido provar, dentro de campo, o que realmente é capaz de fazer.
Não se sabe ao certo até que ponto é que os 58 milhões de euros do seu passe, aliado ao facto de trocar um rival inglês pelo outro, têm pesado na cabeça de Torres, nesta altura. No entanto, já foram vários os jogadores que estiveram nesta situação e que conseguiram superá-la (veja-se Figo, por exemplo). Torres, está visto, não é um jogador forte psicologicamente. E enquanto André Villas-Boas não encontrar uma solução para este "problema", será sempre a equipa a ressentir-se. Isto porque ter um ponta-de-lança que não consegue fazer golos, nem jogar para a equipa, não ajuda ninguém. Muito menos uma equipa poderosa como o Chelsea.

Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Entrevista com o antigo jogador da Selecção Portuguesa de Futebol, Jorge Andrade


A entrevista que se segue foi conduzida por mim, com a ajuda de 3 comentadores, e insere-se no projecto "Bola na Rede", um programa de rádio dedicado ao Desporto. Esta entrevista ao atleta, Jorge Andrade, foi exibida no passado dia 13 de Janeiro. Para mais informações sobre o projecto e/ou a entrevista, basta entrarem no seguinte endereço: http://bolanaredeescsfm.blogspot.com/ ou em http://www.facebook.com/bolanaredeescsfm. Aqui encontrarão todos os episódios deste programa e tudo aquilo que precisam de saber sobre o Bola na Rede.


O Bola na Rede apresenta o seu 3º Convidado: o antigo futebolista profissional de Futebol de Onze, Jorge Andrade. Um jogador de currículo invejável (Titular, por Portugal, na equipa que se sagrou Vice-Campeã da Europa, em 2004, antigo jogador de FC Porto, Deportivo e Juventus e mais de 50 internacionalizações pela Selecção Portuguesa). Uma entrevista onde não entram tabus e se fala, essencialmente, de Futebol.

A não perder, esta entrevista conduzida por Mário Oliveira e com os comentários de Afonso Mora da Silva (Sporting CP), Tiago Martins (SL Benfica) e Bernardo Pereira (FC Porto).


Fiquem ligados!


http://bolanaredeescsfm.blogspot.com/2012/01/podcast-bola-na-rede-22-programa.html

Biografia Visual: Eddie Vedder

Este vídeo foi realizado no âmbito da cadeira de Ateliê de Jornalismo Visual, leccionada pelo prof.º Rui Coutinho. Não tenho qualquer experiência neste tipo de tarefas, mas a criação deste vídeo foi importante no sentido de iniciar a minha preparação em trabalhos deste género.



(Mário Alexandre Oliveira, nº 5608, Turma A de Jornalismo - Janeiro 2012)

Caso de Falta de Ética Jornalística: Eleições do Sporting CP

Este texto foi realizado no âmbito da cadeira de Ética e Deontologia do Jornalismo, leccionada pelo prof.º Oscar Mascarenhas.

Caso de Falta de Ética Jornalística
Eleições do Sporting CP

O tema que decidi desenvolver no seguinte relatório prende-se com a tentativa de verificar se existiu, ou não, falta de ética jornalística revelada, por alguns órgãos de comunicação social portuguesa, durante a cobertura das Eleições do Sporting Clube de Portugal, no passado dia 26 de Março de 2011. O objectivo deste trabalho consiste na tentativa de decifrar e encontrar maneira de explicar todos os factores exteriores a estas eleições e tentar verificar em que medida é que as movimentações dos meios de comunicação social tiveram influência directa na forma como estas eleições se processaram.

Contextualmente, estas eleições do Sporting Clube de Portugal inseriam-se num dos períodos mais complicados da história do clube. A demissão do antigo Presidente, José Eduardo Bettencourt, aliada aos maus resultados desportivos e grande instabilidade financeira do Sporting CP, davam um carácter de “extrema importância” ao resultado final destas eleições. Os associados do clube esperavam, com alguma ansiedade, o seu desfecho e o facto de existirem cinco candidatos, todos eles com ideias diferentes, não ajudava a amenizar os ânimos e o anseio de todos, em relação a estas eleições. Neste processo eleitoral, de entre os 5 candidatos apresentados, as sondagens realizadas, nos tempos anteriores às eleições apresentavam, como principais candidatos à vitória, Bruno de Carvalho e Luís Filipe Godinho Lopes. Dias Ferreira, Pedro Baltazar e Abrantes Mendes, os outros três candidatos, eram apresentados como “outsiders”, durante todo o processo de “pré-eleições”. De entre as sondagens que foram sendo apresentadas, verificava-se, quase sempre, uma disputa, muito equilibrada, entre Bruno de Carvalho e Godinho Lopes, na luta pela vitória, e uma larga distância para os outros três candidatos.

Temos, como exemplo destas sondagens, o inquérito realizado pela Euroexpansão para o jornal “A Bola”, uma semana antes das eleições que dava uma vitória, com larga margem, a Bruno de Carvalho. Nessa sondagem, Bruno de Carvalho venceria com 42,6% dos votos contra, 18,5% de Godinho Lopes, 10% de Pedro Baltazar, 4,6% de Dias Ferreira e 1,5% de Abrantes Mendes. Em relação aos indecisos, a percentagem era de 25,8 %. Ora, à primeira vista, poderíamos então concluir que, com uma vantagem tão folgada, e apesar de faltar ainda uma semana para o processo eleitoral, a vitória de Bruno de Carvalho, de uma forma, ou de outra, já estaria garantida. Mas os processos, por trás desta sondagem, são mais complexos do que aquilo que, efectivamente aparentam. Em primeiro lugar, verificar que os inquéritos foram feitos a apenas 616 sócios, à porta do Estádio de Alvalade, no dia em que Bruno de Carvalho apresentou o “seu” treinador, caso vencesse as eleições, Marco Van Basten. Isto acabaria, de certa forma, por influenciar, na altura de recolher os inquéritos, por ser no exacto local onde um determinado candidato acabava de apresentar o seu “trunfo” eleitoral, já que grande parte dos adeptos entrevistados poderia estar no Estádio para assistir à conferência de imprensa do candidato, Bruno de Carvalho. Para além deste condicionamento, convinha ainda relembrar que as regras de funcionamento dos sufrágios do clube são demasiado complexas, para serem apresentadas sondagens realizadas desta forma. Isto porque, nos sufrágios realizados pelo Sporting Clube de Portugal, nem todos os adeptos têm direito ao mesmo número de votos. Senão vejamos: Do sócio n.º 1 ao n.º 19 – 25 votos, do sócio n.º 20 ao n.º 113 – 22 votos, do sócio n.º 114 ao n.º 689 – 19 votos , do sócio n.º 690 ao n.º 2140 – 16 votos, do sócio n.º 2141 ao n.º 4535 – 13 votos, do sócio n.º 4536 ao n.º 9907 – 10 votos, do sócio n.º 9908 ao n.º 20210 – 7 votos, do sócio n.º 20211 ao n.º 43928 - 4 votos e do sócio n.º 43929 ao n.º 83034 - 1 voto. Isto, para além do facto de as votações estarem apenas reservadas a eleitores com mais de 18 anos.

No entanto, e apesar de todas estas incongruências e irregularidades na condução desta sondagem, foram vários os órgãos de comunicação Social a dar enfâse este inquérito e a publicá-lo nas suas edições. Temos, por exemplo, o jornal Público, com o destaque “Sondagem dá vitória a Bruno de Carvalho” ou a Renascença, na sua edição online, com o título “Sondagem do jornal "A Bola" dá vantagem a Bruno de Carvalho”. No desenvolvimento da notícia, porém, nenhuma das publicações dá conta sobre o contexto do inquérito e a forma como foi conduzido e as “circunstâncias” em que foi utilizado.
Assim sendo, no período que se seguiu, até ao dia das eleições, os jornais, quase diariamente, iam reforçando o “poder” de Bruno de Carvalho, nestas eleições, e a forma como ele seria o candidato vencedor e o novo presidente do Sporting Clube de Portugal. Tudo isto, tendo como base a sondagem efectuada pelo jornal “A Bola”, uma semana antes. A margem de manobra, ganha na sondagem, foi suficiente para que se instalasse um pensamento generalizado de que iria ser mesmo Bruno de Carvalho, o novo presidente do Sporting Clube de Portugal.

Chegados ao dia 27 de Março de 2011, dia das eleições, todas as perspectivas (e sondagens) apontavam para a vitória de Bruno de Carvalho sobre os restantes quatro candidatos. Neste acto eleitoral, que acabou por ser a terceira maior afluência de sempre, de sócios do Sporting CP, às urnas, parecia já difícil de conceber, para grande parte dos adeptos que Godinho Lopes pudesse mesmo vir a ser presidente do clube. As votações decorreram com normalidade até às 18h35, altura em que o jornal “Record” anunciava, que, às 20h, em ponto, iria anunciar o novo presidente do Sporting Clube de Portugal. Isto, apesar de Lino de Castro (Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting) ter alertado para o facto de a espera pelos resultados poder vir a estender-se pela noite dentro, devido à enorme afluência de sócios às urnas. Apesar disto, e sem se compreender muito bem como, o que é facto é que o jornal “Record” garantia que iria “apresentar” o vencedor das eleições às oito da noite, do dia 26 de Março.

Às 20h em ponto, o Record publicava, então, o “suposto” vencedor das eleições: Bruno de Carvalho, com 38,1% a 40,4% das intenções de voto, contra Godinho Lopes que teria, entre 35,5% e 37,7%. Os restantes candidatos tinham, todos, percentagens inferiores a 15%. O título da publicação do jornal era “Bruno de Carvalho é o novo presidente”. É incompreensível como é que um jornal, com a visibilidade e historial do “Record” apresenta um título desta forma e, em seguida, no corpo da notícia refere que o inquérito teve como base, apenas, o horário entre as 10 e as 18 horas do dia em que ocorreu a votação e que haveria “uma probabilidade de êxito para Godinho Lopes: a de, entre as 18 e as 20 horas, o único período do dia que o inquérito de Record não contempla, haver uma afluência às urnas bastante significativa de sócios mais antigos”. Isto quer dizer, no fundo, que de sondagem, esta “angariação de respostas” teve muito pouco. O período que o “Record” decidiu não cobrir foi, obviamente, importante para o desenrolar das votações e garantir a vitória de um candidato, naquela altura, e sabendo-se as complexidades destas eleições, foi um erro crasso. Um jornalista é contratado para fazer notícia segundo códigos éticos e o Jornal “Record”, ao apresentar esta notícia, desta forma, limitou-se a não fazer um bom trabalho jornalístico. Desde logo pela violação, clara, do Ponto 2, “o jornalista deve combater o sensacionalismo” e pela “quebra” no contrato de lealdade que une o jornalista aos seus leitores. Esta notícia foi, no fundo, uma espécie de “verdade cínica”, na qual, aparentemente, o “Record” tentou iludir os seus leitores com um título, que nada tinha de verídico, e que tinha, dentro do corpo da notícia, elementos que distorciam o que era dito anteriormente.

Esta notícia do “Record” teve, naturalmente, uma enorme repercussão nos restantes meios de comunicação social e imprensa portuguesa. O “efeito bola de neve” foi imediato e, em poucos minutos, a notícia do Jornal “Record” alastrou-se para os restantes órgãos de comunicação social. O Diário de Notícias, por exemplo, avançava logo com o título “Bruno de Carvalho é o novo Presidente”, dando como um dado adquirido que o candidato iria, mesmo, ser o novo presidente do Sporting CP. Nesta notícia, não se vislumbra nenhuma referência para as “rectificações” que o Record apontou, acerca do facto de a sondagem poder estar errada e dar a vitória a Godinho Lopes. Todas as informações eram dadas como certas, e o Diário de Notícias acabou por não comprovar os factos que apresentou, limitando-se a transmitir uma informação, sem se preocupar com as inconsistências que ela apresentava. A sondagem do “Record” também foi apresentada por outros órgãos de comunicação social, de referência, como o “Público”, embora este, com um título mais “discreto”: “Projecção dá vitória a Bruno de Carvalho nas eleições do Sporting”. O mesmo jornal, apesar de tudo, confirma, no corpo da sua notícia, que a vitória de Bruno de Carvalho “ainda não é certa, já que a diferença para o segundo mais votado é muito curta”. No fundo, dá para entender que os jornais “Record” ou “Público”, neste caso, tinham o receio (que mais tarde se veio a confirmar) de estar a noticiar algo que não era totalmente um dado adquirido. No entanto, a precipitação (ou, talvez, a vontade de querer ser o “primeiro” a informar) falou mais alto. Nos meios televisivos, também a TVI, por exemplo, quando estavam ainda 400 votos por contar, decidiu transmitir a informação de que Bruno de Carvalho tinha ganho as eleições. Todas estas acções destes meios de comunicação social acabaram por revelar uma tremenda falta de ética jornalística, não havendo “lealdade” e “respeito” para com o leitor, que foi levado a acreditar nestas notícias. Tal como Fernando Correia, autor da obra “Os Jornalistas e as Notícias”, indica, um “jornalista deve estar ao serviço do público, no sentido de ser o seu dever profissional contribuir para a boa informação dos leitores”. E, neste caso, nenhum deles esteve.

Este “encadeamento” de informações provocado pelo jornal “Record” gerou, obviamente, uma grande agitação perante os sócios do Sporting CP. Imediatamente, após a divulgação da notícia, um vasto grupo de adeptos, todos eles apoiantes de Bruno de Carvalho, juntaram-se à porta do Estádio de Alvalade para celebrar a “suposta” vitória do candidato. Convém, ainda, relembrar que estas eleições do Sporting CP dividiram praticamente em dois, os apoiantes do Sporting: de um lado, uma facção mais jovem, e apoiante de Bruno de Carvalho. De outro, a facção mais adulta (e com direito a mais votos, nas eleições) que apoiava Godinho Lopes.

O que é facto é que os resultados acabaram por não ser anunciados, de imediato, o que motivou ainda mais ansiedade nos adeptos presentes nas imediações do estádio. Perto da uma da manhã, motivados pela impaciência, vários elementos da claque do Sporting CP e apoiantes de Bruno de Carvalho, chegaram a tentar invadir as salas de voto. Seria, pouco depois, anunciado que, efectivamente, Godinho Lopes seria o presidente, e não Bruno de Carvalho, como o Record tinha garantido anteriormente. Neste caso, acaba por se concluir que a influência dos meios de comunicação e a falta de ética revelada por todos eles teve clara influência na forma como tudo se processou. Se a vitória de Bruno de Carvalho não tivesse sido dada como garantida, provavelmente, os casos de violência, ocorridos após o anúncio da vitória de Godinho Lopes, poderiam não ter existido.
No fundo, os resultados apresentados não foram nunca favoráveis a Bruno de Carvalho e tal facto foi comprovado por Lino de Castro, após as eleições. Houve recontagem de votos com todos os candidatos presentes e Godinho Lopes venceu as eleições: "Foi feita uma recontagem de votos depois da primeira, foi feita uma nova introdução de dados e repetiu-se o resultado com os mesmos números. Nunca ninguém questionou de qualquer lista, contestou ou mostrou dúvidas sobre estes resultados. Nunca mais ninguém pediu qualquer recontagem”. Conclui-se, portanto, que nunca houve nenhum problema com estas eleições e que toda a confusão instalada, após se conhecer os resultados, foi provocada pelos media portugueses. O erro cometido, não só pelo jornal “Record”, mas também por todos os meios de comunicação social que foram atrás desta “sondagem”. Exigia-se, de todos os órgãos de comunicação social, um mea-culpa neste caso. Apesar de Felipe Pena, na sua obra “Teoria de Jornalismo”, afirmar que a “retracção nunca tem o mesmo espaço das acusações”, neste caso, era essencial que tal acontecesse para que a maioria da opinião pública entendesse que a sondagem apresentada pouco, ou nada, tinha de credível.

Pode-se então concluir que, neste caso, houve, efectivamente, falta de ética jornalística, por parte de toda a comunicação social envolvida nesta cobertura. O jornal “Record”, por fundamentar e divulgar uma sondagem, que tinha uma margem de erro muito larga, e os restantes meios por expandirem a própria notícia. Não se pode dizer que os meios de comunicação social faltaram à verdade, porque não faltaram. Preferiram a omissão de factores importantes, que, no fundo, alterariam a forma de pensamento dos receptores. Houve falta de ética, uma quebra do contrato de lealdade, estabelecido com os receptores e, principalmente, uma tentativa de impor uma ideia à audiência, que era infundada e tinha demasiadas irregularidades.

(Mário Alexandre Oliveira, nº 5608, Turma A de Jornalismo - Janeiro 2012)

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

O que trás Nolito ao Benfica?


Golos, essencialmente. Nos últimos 3 jogos oficiais, o Benfica fez 13 golos. Os três contaram com a presença de Nolito entre os 11 jogadores titulares. O espanhol, em todas as competições, já fez 10 golos em todas as competições (7 deles no campeonato). No futebol, é certo, as estatísticas valem o que valem. Mas o espanhol já fazia por merecer uma oportunidade entre os titulares do Benfica. O que "afastou" Nolito dos titulares, nos últimos tempos, é ainda uma incógnita à qual poucos saberão responder, para além do treinador, Jorge Jesus. Mas, agora, já ninguém duvida da qualidade que o espanhol trás ao campeonato português e, principalmente, ao Benfica. São poucos os jogadores que conseguem desequilibrar como ele, no um para um. O seu estilo raçudo e batalhador (a fazer lembrar David Villa, do FC Barcelona) deu novas soluções ao Benfica que nem Bruno César, nem Gaitán, eram capazes de o fazer.
O jogador espanhol era, antes destes jogos, um dos jogadores mais mal aproveitados do campeonato português. Agora, dadas as estatísticas apresentadas, nem Jesus é capaz de fechar os olhos e tentar contrariá-las.. Nolito é um jogador de classe e um dos melhores desta equipa do Benfica. Só precisa que lhe continuem a dar oportunidades.

Diferença de Mentalidades


«Temos de superar estas coisas, que acontecem no futebol. Temos de olhar para aquilo que podemos controlar, aquilo que fazemos bem. Fizemos sempre isso, e assim continuaremos. Não podemos olhar para o que fez o árbitro. Resta-nos analisar, melhorar aquilo que não temos feito bem e continuar com aquilo que temos feito bem. É isso que faremos. Resta-nos analisar, melhorar aquilo que não temos feito bem e continuar com aquilo que temos feito bem. É isso que faremos.» - Pep Guardiola, treinador do FC Barcelona, depois de o empate entre a sua equipa e o Espanyol. O lance em questão refere-se a um penalty (e consequente expulsão de um jogador do Espanyol), no último minuto do encontro, que poderia dar os 3 pontos à equipa do Barcelona.

«O Polga é um jogador com sorte. Já é o segundo jogo em que devia ter levado o segundo amarelo, mas tem tido sempre sorte. Hoje deveria ter sido expulso e penso que com um jogador a mais isso faria toda a diferença.» - Vítor Pereira, treinador do FC Porto, depois de o empate entre a sua equipa e o Sporting CP. O lance a que o treinador se refere é uma expulsão (forçada, diga-se) do jogador, Anderson Polga, a 25 minutos do final do encontro.


Em duas citações apenas, podemos olhar para as diferenças de mentalidade entre dois treinadores de equipas de classe mundial. Tudo o que Vítor Pereira não podia fazer ontem era falar de arbitragens. A exibição do árbitro Pedro Proença, foi, provavelmente, uma das melhores dos últimos anos, em clássicos portugueses. E nem ele, nem Domingos, tinham razão para vir discutir as suas decisões, no final do encontro. O treinador do FC Porto, principalmente, teria a obrigação de olhar para aquilo que foi realmente o encontro e verificar que o principal motivo pelo qual o FC Porto não saiu de Alvalade com os 3 pontos foi, exclusivamente, por sua própria culpa. As opções do treinador do FC Porto, para variar, foram questionáveis e fica-lhe muito mal, no final de cada jogo, vir refugiar-se por trás das arbitragens, para esconder o fracasso das suas opções técnicas.
Olhando para outro lado da moeda, vemos Pep Guardiola, num jogo que dita o afastamento, para 5 pontos, da sua equipa em relação ao Real Madrid, a reagir, com classe, ao fracasso da sua equipa. O treinador espanhol tinha todos os motivos para questionar o lance (escandaloso) que o impediu de sair deste jogo com os 3 pontos, mas preferiu não o fazer. Sabe, o treinador espanhol, que noutras ocasiões as opções do árbitro já o favoreceram e optou, e muito bem, por não falar de arbitragens.
Assim se vê: uns optam pelo caminho da coerência e da classe. Outros preferem seguir pela outra via. E assim, em Portugal, nunca iremos a lado nenhum.

Domingo, 8 de Janeiro de 2012

O Regresso de Izmailov e Matías


É uma pena que os dois melhores jogadores do Sporting tenham uma propensão muito forte para as lesões. Tanto Matías Fernandez, como Izmailov, nas suas melhores condições físicas, teriam lugar no onze titular da equipa do Sporting CP. Sobre Matías, já muito foi dito neste blogue e pouco mais há a acrescentar. É um jogador de classe, com uma técnica muito apurada e capaz de desequilibrar, sozinho, uma partida de futebol. Pena, como sempre, são as lesões musculares, que o perseguem desde há muito tempo para cá. E enquanto não o largarem, definitivamente, Matías nunca poderá ser o jogador que muitos esperam que seja. O tempo o dirá.
Um caso semelhante ao do chileno é, claro está, o de Marat Izmailov. O russo, desta equipa do Sporting, é dono de uma qualidade técnica e táctica, de fazer inveja a grande parte dos jogadores do campeonato português. O problema relaciona-se, como com o chileno, com os constantes problemas físicos do jogador. Ontem, frente ao FC Porto, deu para perceber a diferença entre aquilo que é ter Carrillo ou Izmailov. Embora o peruano tenha uma margem de progressão muito elevada, Izmailov, no pouco tempo que esteve em campo, foi capaz de desequilibrar o jogo e aumentar a profundidade ofensiva da equipa do Sporting CP. E isso, não se encontrava com a velocidade de Carrillo. Isso, processar-se-ia com a inteligência e qualidade técnica do russo. Em melhor forma, Izmailov teria começado o jogo como titular e, talvez, o jogo pudesse ter sido diferente. O Sporting CP continua a pecar no capítulo da criatividade e a esse nível, Elias e Schaars continuam sem deslumbrar. Exceptuando Matías e Izmailov, o Sporting CP continua a falhar nas transições ofensivas e a fazer-se valer apenas dos rasgos individuais de Diego Capel, que, como se viu ontem, não duram mais de 60 minutos.
O Sporting CP, ontem, pode muito bem ter dito adeus ao título de Campeão Nacional, caso o Benfica vença o encontro de hoje, frente ao União de Leiria. No entanto, ganhou os dois melhores reforços que Domingos poderia pedir, nesta altura: Matías Fernandez e Marat Izmailov.