Sexta-feira, 27 de Julho de 2012

Manobras de mercado do Sporting

Artigo publicado no site Relvado no dia 26 de Julho de 2012: 
http://relvado.sapo.pt/manobras-mercado-sporting-cp-431191



Confesso que toda a planificação que tinha para este texto sofreu uma enorme alteração nas últimas horas. Se, numa primeira instância, o que pretendia com esta crónica era elogiar grande parte da preparação e constituição do plantel do Sporting CP para esta temporada, agora, com a saída de Matías Fernández, tudo mudou. Antes de mais, e para que fiquemos esclarecidos, o chileno era, no meu entender, um dos jogadores com mais potencial do campeonato português e aquele que, sendo bem trabalhado, poderia transformar-se num dos ativos mais importantes e valiosos da equipa de Alvalade.

A notícia que hoje sai nos jornais, confirmando a transferência do jogador para a Fiorentina, de Itália, apanhou muita gente desprevenida, até porque, olhando para o plantel do Sporting atual, não havia nenhum jogador com características semelhantes às de Matías Fernández. Daí que me faça muita confusão que o Sporting se tenha desfeito do seu jogador mais criativo, ao nível do meio-campo.
Esta medida é ainda mais incompreensível quando se olha para a forma como toda esta pré-temporada do Sporting foi preparada e se verifica que houve, de facto, um investimento para a nova época, que aí vem. O Sporting tem contratado bem e com qualidade. Parece-me inteligente a aposta em Boulahrouz, um jogador que vem trazer à defesa da equipa algo que faltava, há já alguns anos: falo de agressividade. As entradas de Labyad, Gelson e Pranjić oferecem soluções à equipa em vários sectores diferentes do terreno e o regresso dos emprestados, em particular de Adrien, que podem ser integrados no plantel e tornarem-se opções credíveis para Sá Pinto, nos próximos tempos.

A única contratação que vou ter de questionar é mesmo a de Marco Rojo. Não está aqui em causa o valor do jogador, mas, sim, o dinheiro gasto na sua contratação. Se fosse, de facto, uma lacuna importantíssima que faltava na equipa (como a de ponta-de-lança, por exemplo), até tentaria compreender que fossem esbanjados 4 milhões de euros na sua contratação. Mas não é. É um jogador que fez a temporada passada toda no Spartak de Moscovo como lateral-esquerdo e que vem para o Sporting jogar a defesa-central. Ora, olhando a equipa de Sá Pinto, e verificando que do lado esquerdo está Insúa, um dos melhores jogadores da equipa, e no centro do terreno, chegou Boulahrouz, e já lá estavam Onyewu, Xandão, Carriço e ainda o central, muito promissor, que é Nuno Reis, vê-se que esta não era uma contratação prioritária para o Sporting.

Ainda para mais, num clube que passa grandes dificuldades financeiras, nesta altura, e que até tem conseguido saber gerir essa situação, ao nível das contratações. O investimento feito neste argentino parece-me, sobretudo, um capricho dos dirigentes do Sporting para demonstrarem que a equipa ainda tem capacidade para trabalhar no mercado de transferências e superar os rivais (neste caso, o Benfica).
O timing para efetuar este tipo de movimentações no mercado não foi o mais indicado. O resultado acaba por estar à vista. Não tenho dúvidas de que a saída de Matías está diretamente ligada com o negócio de Rojo. Não acredito que em termos salariais, o valor recebido pelos dois seja muito divergente, pelo que ainda se torna mais difícil de compreender estas últimas manobras de mercado, efetuadas pela equipa leonina.

O tempo até pode vir a contrariar tudo aquilo que estou a dizer, mas é um facto que o Sporting, sem Matías, perde imensa qualidade e criatividade no meio-campo, independentemente do valor que têm jogadores como Izmailov, Schaars, Adrien ou o brasileiro Elias, que, pelo que se sabe, até é um dos elementos mais bem pagos do plantel. Justificável? Na minha opinião, não.

Sexta-feira, 20 de Julho de 2012

A questão do lateral esquerdo do Benfica

Artigo publicado no site Relvado no dia 19 de Julho de 2012: 
http://relvado.sapo.pt/questao-lateral-esquerdo-benfica-429161


Há mais de quarenta anos que o SL Benfica não começava uma quarta temporada consecutiva com o mesmo treinador. Antes de Jorge Jesus, apenas Jimmy Hagan, entre 1970 e 1974, tinha conseguido tal proeza. No entanto, esta tentativa de o clube apresentar estabilidade no seu corpo técnico pode, precisamente, virar-se contra o próprio Benfica e Jorge Jesus.

O nome do treinador encarnado gera cada vez menos consenso na Luz e, agora, mais do que em qualquer altura, está sujeito a uma maior pressão, por parte da imprensa e dos adeptos do Benfica. Se a margem de erro, antes, era reduzida, agora, pode-se dizer que é praticamente nula. Na cabeça de todos já não está a conquista do título de campeão nacional, há 3 temporadas atrás, mas sim os recentes fracassos aos pés do FC Porto. E será contra os maus resultados do passado e contra uma série de erros técnicos, muitos deles por culpa do próprio Jesus, que o treinador do Benfica vai ter de enfrentar esta nova temporada.

Um desses erros técnicos está o próprio treinador a tentar resolver nesta pré-temporada. Ao abdicar de Emerson e Capdevilla, Jorge Jesus está, discretamente, a tentar emendar um erro que se prolongou por uma época inteira e que prejudicou, diretamente, a equipa do Benfica.

À semelhança daquilo que foi a temporada de Roberto, há um ano atrás, também Emerson foi o resultado de uma insistência, quase absurda, num jogador que pouco conseguia dar à equipa, fruto da sua pouca qualidade, aliada a uma tremenda falta de confiança. A aposta, desta forma, num jogador que se apresentava, à partida, com índices de confiança baixíssimos e que, para além disso, não tinha o apoio da massa adepta do Benfica não poderia, nunca, dar resultado. O tempo veio dar razão a todos aqueles que puseram em causa estas opções de Jesus.

Nesta nova temporada, Jesus não pode voltar a correr o risco de que apareça um novo “Roberto” ou um novo “Emerson”. E, para isso, vai ter de solucionar, rapidamente, a questão do lateral esquerdo do Benfica. Sem Emerson e também sem Capdevilla, que, na minha opinião, sempre justificou mais minutos de jogo, Jesus tem agora, até ver, à sua disposição, o antigo lateral do Paços de Ferreira, Luisinho, e o recém-adaptado, Melgarejo, também ele proveniente da equipa da capital do móvel.

Parece-me claro, antes de mais, que a aposta fixa num dos dois jogadores vai ser sempre um risco. Se der mau resultado, vai ser muito fácil atribuir todas as culpas ao treinador do Benfica. Com razão, diga-se, porque a fonte de todo este problema é ele mesmo. O que me parece também muito claro, tendo em conta aquilo que já observei dos dois jogadores, é que qualquer um deles não fica a dever, em nada, a Emerson. Tanto Luisinho, como Melgarejo, são jogadores que conferem à equipa do Benfica uma maior profundidade ofensiva e uma maior qualidade na troca de bola, fruto da sua boa qualidade técnica.

Nesta altura, e se, de facto, o Benfica não avançar para a compra de um lateral esquerdo, parece-me que Luisinho leva alguma vantagem, visto que é um jogador com mais rotina nesta posição. No entanto, tenho de reforçar a ideia de que Melgarejo pode vir a ser uma grande aposta para o lugar. Pode tudo correr mal, claro. Mas, em virtude da excelente capacidade técnica que possui e da enorme velocidade que consegue dar a toda a faixa lateral do terreno, Melgarejo pode ser a opção “improvável” para o onze titular do Benfica. Isto, claro, se o jogador conseguir assimilar as noções básicas, ao nível do posicionamento defensivo e da forma como deve, ou não, subir no terreno. Mas isto, Jorge Jesus saberá melhor do que eu ou qualquer um de nós. Fábio Coentrão que o diga.